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Polícia Civil prende tenente por suspeita de matar a esposa em São Paulo

O tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto

Data: 18 de março de 2026

A Polícia Civil de São Paulo prendeu nesta quarta-feira (18) o tenente-coronel Geraldo Rosa Neto, suspeito de matar a companheira, a soldado Gisele Alves Santana, com um tiro na cabeça. O caso ocorreu em 18 de fevereiro no apartamento onde o casal morava. Ele foi indiciado por feminicídio, violência doméstica e fraude processual.

O inquérito militar que embasou o pedido de prisão destrói ponto por ponto a versão apresentada pelo acusado. Quando Gisele foi encontrada, ele alegou que ela havia se suicidado. A família contestou desde o início. Os laudos agora comprovam que a família estava certa em desconfiar.

A perícia necroscópica é inequívoca. De acordo com informações do inquérito militar divulgadas pelo site UOL, Gisele foi imobilizada por trás, com marcas de dedos na mandíbula e marca de unha no pescoço. O laudo toxicológico descarta qualquer consumo de drogas ou álcool. A mulher foi segurada pelo rosto enquanto recebia um tiro na têmpora direita, disparado com a pistola Glock calibre .40 do próprio acusado. O trajeto do projétil foi ascendente, da direita para a esquerda, segundo a perícia citada em decisão da Justiça Militar.

O laudo de reprodução simulada foi ainda mais direto: tecnicamente impossível que Gisele tivesse se matado. Os padrões de sangue encontrados entre 1,70 e 1,80 metros de altura não combinam com a narrativa de suicídio seguido de queda. A simulação indicou que o tiro foi realizado pelas costas, de forma súbita e inesperada, eliminando qualquer chance de defesa da vítima.

Mas há mais. A reconstrução tridimensional do apartamento mostrou que da porta do banheiro era impossível visualizar o corpo na posição registrada nas fotos dos socorristas, com ou sem a árvore de Natal na sala. Isso contradiz a versão do acusado de que estava tomando banho quando ouviu o barulho.

O investigado também manipulou a cena do crime. Perícia indica que ele colocou a arma na mão da vítima para simular suicídio. Antes de chamar o resgate às 7h57min17s, fez sucessivas ligações a terceiros, incluindo um desembargador amigo. Esse retardamento não explicado do socorro imediato sugere que ele usou o tempo para limpar vestígios, conforme aponta a investigação citada pela Justiça Militar.

O padrão de comportamento do acusado também emergiu nos depoimentos. Colegas de trabalho de Gisele descreveram o tenente-coronel como ciumento, controlador e invasivo. Ele visitava o local de trabalho da esposa sem atribuição para tal, usando sua ascendência hierárquica. As mensagens do celular dele revelam ofensas, humilhações, controle e ameaça de subjugação. Dias antes dos fatos, houve um episódio de agressão física, conforme registrado na investigação.

No dia da morte, segundo seu próprio depoimento, ele entrou no quarto de Gisele por volta das 7h para dizer que queria a separação. Afirmou ter dito que ainda a amava, mas que era melhor terminar. Ela se levantou exaltada, mandou sair e bateu a porta. Ele alega ter ido tomar banho em seguida.

O advogado da família, José Miguel Silva Junior, já havia avaliado que as marcas no pescoço da vítima, junto aos demais elementos de prova, corroboravam a tese de feminicídio. O laudo necroscópico do dia 19 de fevereiro, um dia após a morte, já mencionava lesões na face e no pescoço. O último laudo, de 7 de março, após exumação do corpo, confirmou lesões contundentes na face e região cervical resultantes de pressão digital e escoriação por unha.

A morte de Gisele foi constatada às 12h04 do dia 18 de fevereiro no Hospital das Clínicas, após ser socorrida em estado grave. O caso foi inicialmente registrado como suicídio, depois alterado para morte suspeita. Agora, com a prisão do tenente-coronel, a investigação militar apresenta os fatos que a família sempre soube: Gisele não se matou.

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