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Dino manda investigar emendas PIX para fundação ligada à Igreja da Lagoinha

Senador Carlos Viana (Podemos-MG)

Data: 30 de março de 2026

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, não gostou do que viu nos papéis. Nesta segunda-feira, apontou falta de transparência nas emendas PIX enviadas à Fundação Oasis, braço social da Igreja Batista da Lagoinha, e abriu uma investigação que pode chegar à Polícia Federal.

O alvo é o senador Carlos Viana (Podemos-MG), que teria destinado R$ 3,6 milhões à fundação através de emendas parlamentares. Os deputados Pastor Henrique Vieira (Psol-RJ) e Rogério Correia (PT-MG) acionaram o Supremo apontando possíveis irregularidades. Viana nega qualquer ilegalidade, mas Dino identificou buracos nos esclarecimentos e pediu mais documentos ao governo federal e às prefeituras mineiras de Belo Horizonte e Capim Branco.

Em 2019, R$ 1,5 milhão chegou à Fundação Oasis via Belo Horizonte. Em 2023, R$ 1,47 milhão foi para a filial de Capim Branco. Em 2025, mais R$ 650,9 mil para o mesmo destino. O padrão de repasses levantou suspeitas de que a emenda serviria menos ao interesse público e mais à manutenção de um vínculo político-financeiro entre o parlamentar e as entidades investigadas.

A Controladoria-Geral da União já havia apontado evidências de múltiplas irregularidades nessas emendas. Dino citou o relatório para justificar a necessidade de rastreabilidade dos recursos e verificar se houve desvio de finalidade ou favorecimento pessoal.

Há ainda uma conexão incômoda. A Igreja Batista da Lagoinha aparece no Caso Master por causa da ligação entre seu ex-pastor Fabiano Zettel e o empresário Daniel Vorcaro, dono do banco investigado por suspeitas de fraudes financeiras. Zettel, cunhado de Vorcaro, é apontado pela Polícia Federal como operador financeiro central do esquema.

Dino também mencionou suspeitas de omissões ou proteções no âmbito da CPMI do INSS, que Viana presidiu até a semana passada. Os deputados denunciantes alegam que requerimentos sobre a Fundação Oasis não foram apreciados por possível interesse pessoal do presidente da comissão.

A Fundação Oasis respondeu em nota que suas informações financeiras são públicas, auditadas regularmente e submetidas à fiscalização de órgãos competentes. Afirmou estar à disposição para prestar esclarecimentos adicionais.

Dino só poderá analisar a representação dos parlamentares depois de receber as informações complementares que solicitou. Dependendo do que encontrar, o caso segue para a Polícia Federal.

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