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Desembargador que voou com ministro do STF deu liminar favorável ao filho dele

O ministro Nunes Marques

Data: 6 de abril de 2026

Quando você voa com alguém em novembro, fica bem natural conceder uma liminar favorável ao filho dessa pessoa um mês depois. Pelo menos é o que sugere a trajetória do desembargador Newton Ramos, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, que viajou para Maceió com o ministro do Supremo Tribunal Federal Kassio Nunes Marques e depois proferiu uma decisão que beneficiou diretamente o filho do ministro.

A história começa com Kevin de Carvalho Marques, advogado de 25 anos e filho do ministro. Ele entrou como defensor em um processo movido pela Refinaria de Manguinhos, a Refit, do empresário Ricardo Magro, que está foragido do País. O grupo Refit é considerado o maior devedor de ICMS de São Paulo e um dos maiores da União, acusado de sonegar R$ 26 bilhões. Segundo o Estadão, a viagem de Nunes Marques foi bancada pela mulher de Newton, a advogada Camilla Ewerton Ramos, para comemorar seu aniversário.

Em 17 de dezembro, os advogados pediram uma decisão liminar para suspender o julgamento do processo envolvendo uma fiscalização da Agência Nacional do Petróleo (ANP) que havia resultado na interdição da refinaria. Apesar de não ser o relator, Newton atuou como relator substituto e no dia seguinte concedeu a liminar, suspendendo qualquer deliberação administrativa da ANP. Procurado, o desembargador afirmou que o caso não se enquadrava nas hipóteses legais de impedimento.

A conexão entre os dois vai além da viagem. Nunes Marques e Newton Ramos são próximos desde quando o ministro era desembargador do TRF-1. Newton chegou a atuar como juiz auxiliar de Kassio entre 2018 e 2020. Em 2023, com apoio de Nunes Marques nos bastidores, Newton foi promovido a desembargador do tribunal.

Kevin, por sua vez, afirma ter conquistado mais de 500 clientes e resolvido pelo menos 1 mil processos em seu primeiro ano de advocacia, conforme anunciado em seu site. A assessoria do advogado disse que a página era uma versão preliminar publicada por engano. Um desses clientes seria a Consult Inteligência Tributária, que pagou a Kevin R$ 281,6 mil entre 2024 e 2025. Segundo o Estadão, essa mesma consultoria recebeu R$ 6,6 milhões do Master e R$ 11,3 milhões da JBS no mesmo período. A assessoria de Kevin reafirmou que ele nunca recebeu recursos diretos dessas empresas e que a relação é fortuita.

O advogado Kevin de Carvalho Marques não quis se manifestar sobre a liminar concedida por Newton Ramos.

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