Câmeras registram PM questionando parceira que atirou em Thawanna
Data: 9 de abril de 2026
As imagens da câmera corporal de um policial militar revelam o momento exato em que ele questiona a soldado Yasmin Cursino Ferreira sobre o disparo que matou Thawanna da Silva Salmázio, de 31 anos, durante uma abordagem em Cidade Tiradentes, na Zona Leste de São Paulo. O repórter Lucas Jozino, da TV Globo, teve acesso às imagens.
“Você atirou? Você atirou nela? Por quê?”, pergunta o soldado Weden Silva Soares à colega de farda. Yasmin responde que atirou porque Thawanna teria dado um tapa na cara dela. A resposta, registrada em vídeo, contrasta radicalmente com as versões que emergiram depois sobre o que realmente aconteceu naquela madrugada de sexta-feira, 3 de fevereiro.
Thawanna estava acompanhada do marido, Luciano Gonçalvez dos Santos, quando a viatura passou na rua e o retrovisor bateu no braço dele. O soldado Weden parou o veículo, deu ré e iniciou uma discussão. Thawanna contestou, dizendo que foram os policiais quem bateram neles. Yasmin desceu da viatura e, segundos depois, um disparo ecoou na rua. Thawanna foi socorrida ao Hospital Tiradentes, mas morreu no mesmo dia.
A câmera corporal mostra detalhes que nenhum relatório consegue capturar completamente. Às 2h58, os dois policiais entram na Rua Edimundo Audran. O retrovisor bate no braço de Luciano. Weden para, dá ré e começa a discussão. Luciano responde chamando Weden de “Steve”, gíria entre policiais. Weden rebate com mais xingamentos. Thawanna intervém dizendo que foram os policiais quem bateram neles. Yasmin desce da viatura. É possível ouvir Thawanna pedindo para a militar não apontar o dedo para ela. Depois, o disparo.
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A família de Thawanna conta uma história diferente. Luciano afirma que a viatura esbarrou neles propositalmente. Ele diz que Yasmin desceu xingando, deu um murro e um chute nas partes íntimas de Thawanna. Em reação, ela teria dado um tapa na mão da policial. Foi quando Yasmin se afastou e atirou. Uma testemunha que preferiu não se identificar corrobora essa versão, descrevendo um murro e um chute antes do tapa.
A polícia militar apresenta outra narrativa. Segundo o boletim de ocorrência, os agentes faziam patrulhamento quando viram o casal andando com os braços entrelaçados no meio da rua. O homem teria se desequilibrado e batido o braço no retrovisor. Quando retornaram para verificar, o casal apresentava sinais de embriaguez e comportamento agressivo. Thawanna teria partido para cima de Yasmin, iniciando um confronto físico. Yasmin afirma que tentou se defender de tapas, incluindo um no rosto.
O Ministério Público de São Paulo instaurou um procedimento para investigar a morte. O Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) conduz a investigação independente. Yasmin, responsável pelo disparo, e os demais agentes envolvidos foram afastados de suas funções. A arma foi apreendida. Um Inquérito Policial Militar (IPM) também foi aberto, com oitivas de outros agentes que prestaram apoio.
As imagens mostram o que aconteceu, mas não explicam por que um tapa ‘justificaria’ um disparo. Não explicam por que uma abordagem de rotina terminou em morte. Não explicam por que uma mulher de 31 anos saiu de casa naquela noite e não voltou.
A morte de Thawanna desencadeou protestos de moradores de Cidade Tiradentes contra a violência da Polícia Militar.




