Jornalista Leo Dias recebeu R$ 9,9 milhões do Banco Master em pagamentos de publicidade
Data: 9 de abril de 2026
O Banco Master, de Daniel Vorcaro, depositou R$ 9,9 milhões na conta da empresa de Leo Dias entre fevereiro de 2024 e maio de 2025. A informação consta de um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) obtido pelo Estadão.
Segundo o documento, o banco fez seis pagamentos para a Leo Dias Comunicação e Jornalismo nesse período. Leo Dias também recebeu outros R$ 2 milhões de uma empresa que tinha o Master como principal fonte de receita. No total, os valores do banco representam 28% do faturamento da Leo Dias Comunicação nos 15 meses analisados pelo Coaf.
O jornalista explicou que os pagamentos correspondem a um contrato de publicidade firmado com o Will Bank, marca que integrava o conglomerado do Master e também foi liquidada pelo Banco Central. “O Grupo Master, por meio da marca Will Bank, manteve contrato publicitário com empresas do Grupo Leo Dias Comunicação no período de outubro de 2024 a outubro de 2025”, afirmou em nota.
O Coaf, porém, identificou movimentações que chamam atenção. A empresa recebeu R$ 34,9 milhões em 15 meses e gastou R$ 35,7 milhões no mesmo período. O órgão de monitoramento financeiro apontou indícios de pagamentos em benefício de terceiros sem justificativa aparente e movimentação superior à capacidade financeira declarada pela empresa. Também houve recebimento de créditos com débito imediato dos valores.
A Leo Dias Comunicação recebeu ainda R$ 2 milhões de uma empresa chamada LD Produções entre novembro de 2024 e outubro de 2025. Apesar do nome remeter ao jornalista, o proprietário é Flávio Carneiro, empresário mineiro próximo de Vorcaro. Dos R$ 3,7 milhões que a LD recebeu no período, 90% vieram do Master.
Há registros de Leo Dias em reunião no escritório da Moriah Asset, gestora de investimentos fundada por Fabiano Zettel, cunhado e operador financeiro de Vorcaro. Em vídeo publicado no Instagram em 2023, o jornalista aparece em encontro na empresa com uma garrafa d’água com o logotipo da Moriah sobre a mesa. Leo Dias afirmou que o encontro foi “estritamente comercial” para discutir patrocínio do Will Bank.
O jornalista negou que suas empresas recebessem investimentos por participação societária ou aportes diretos de Vorcaro ou Zettel. Segundo sua nota, a única relação no período foi a publicidade realizada pelo Will Bank com o Grupo Leo Dias de Comunicação.
O que torna a situação intrigante é a proporção. Quando um banco representa 28% do faturamento de uma empresa de comunicação, a linha entre publicidade e dependência financeira fica tênue. O Coaf identificou movimentações que sugerem fluxos financeiros sem justificativa clara. Leo Dias oferece explicações, mas os números do relatório permanecem ali, convidando a perguntas que vão além da publicidade contratada.




