Em nova estratégia, apreensão de dinheiro do crime organizado pela PF aumenta 36 vezes no Governo Lula
Data: 15 de abril de 2026
A Polícia Federal apreendeu R$ 4,4 bilhões em dinheiro vivo e bloqueios judiciais em 2025, um salto de 36 vezes em relação aos R$ 125 milhões de 2022, segundo dados obtidos pelo UOL via Lei de Acesso à Informação. O crescimento explosivo reflete uma mudança profunda na forma como as forças de segurança combatem o crime organizado no Brasil.
O pico ocorreu no ano passado, alimentado por duas operações de peso. A Operação Carbono Oculto, em agosto, bloqueou R$ 1,4 bilhão ao conectar o setor de combustíveis ao PCC. Já a Compliance Zero, em novembro, congelou R$ 833 milhões nos negócios do Banco Master, de Daniel Vorcaro. Sem essas duas ações, 2025 ainda teria registrado R$ 2 bilhões em bloqueios, número 36 vezes superior ao de 2022.
O aumento não significa necessariamente que o crime organizado está mais forte. Segundo Fernando Henrique Neves, advogado especializado em direito penal, o crescimento reflete principalmente maior atuação das forças de segurança e aumento de recursos para a Polícia Federal. Os gastos da corporação com investimentos e despesas correntes cresceram 38% entre os triênios 2020-2022 e 2023-2025, saltando de R$ 3,7 bilhões para R$ 5,1 bilhões.
A estratégia mudou. Delegada da Polícia Civil do Distrito Federal, Isabel D’Ávila explica que investigadores abandonaram a aposta exclusiva em prisões. Como o sistema carcerário é complexo e criminosos raramente permanecem presos, a nova tática é a asfixia financeira. Bloqueios de contas, apreensão de veículos e imóveis agora acompanham toda operação contra corrupção, lavagem de dinheiro e organizações criminosas.
O Banco Central também ganhou protagonismo nesse processo. Neves aponta que normas do BC têm mais rapidez e efetividade que leis aprovadas pelo Congresso, colocando a instituição como ator relevante na persecução penal. Mudanças recentes na legislação, como as leis anticrime e de combate a facções, ampliaram instrumentos como o confisco alargado, onde o investigado precisa comprovar a origem lícita do patrimônio. Neves prevê que esse tipo de sequestro judicial vai aumentar vertiginosamente nos próximos anos.
São Paulo lidera as apreensões de dinheiro em espécie com R$ 57 milhões entre 2022 e 2026, seguido por Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná. Brasília, porém, ganhou espaço no ranking. A capital passou da penúltima posição em 2022 para a 9ª em 2025, ocupando a 6ª colocação nos últimos seis meses, com R$ 6,6 milhões apreendidos apenas em 2025 e 2026.
Nos bloqueios judiciais, São Paulo domina com R$ 2 bilhões, seguido pelo Distrito Federal com R$ 1,1 bilhão. Paraná, Bahia e Santa Catarina completam o top 5. As moedas estrangeiras apreendidas somaram R$ 638 milhões no período, com dólar, euro, libra esterlina e dólar australiano respondendo por mais de 90% do total.
O dinheiro em reais é transferido para conta judicial na Caixa Econômica Federal e passa a render. Moedas estrangeiras, porém, são mantidas fisicamente pela Polícia Federal sem depósito em conta específica.





A polícia federal, trabalhando com autonomia, pôde usar estratégias mais inteligentes e eficazes. Tirou o foco dos “peixes pequenos” e “laranjas” e atacou o ponto sensível das ORCRIMs. Bingo!
As casas legislativas deveriam mirar o exemplo e criar leis que apoiem iniciativas tão bem sucedidas.
A experiência também pode lastrear as interações entre o governo brasileiro e o estadunidense, mostrando que em vez de se preocupar com a classificação das facções, os EUA devem seguir o dinheiro que é levado para lá.
Mas como fica a recuperação dos bilhões roubados do banco de Brasília? E outros desvios, que saem dos cofres do governo, e das aposentadorias do INSS?