Dentista é preso por manter mulher em cárcere privado e forçá-la a tatuar seu nome 10 vezes
Data: 15 de abril de 2026
Um dentista de 40 anos foi preso na terça-feira em Itapema, Santa Catarina, acusado de manter uma mulher de 39 anos em cárcere privado durante quatro meses, submetê-la a violência física, psicológica e moral, e forçá-la a fazer dez tatuagens com o seu nome em diferentes partes do corpo. A prisão preventiva foi decretada pela suspeita dos crimes de cárcere privado, lesão corporal qualificada, ameaça e dano, conforme informou a Polícia Civil.
A vítima, natural do Rio Grande do Sul, relatou aos investigadores que vivia sob intenso controle do companheiro. Ela era impedida de manter contato com familiares, tinha acesso restrito ao celular e não podia sair da casa onde moravam. As marcas de agressão cobriam seu corpo da cabeça aos pés, segundo a delegada Marcela Smolenaars, responsável pelo caso na delegacia de Esteio.
A mulher conseguiu fugir quando o homem tomou uma medicação para dormir. No dia 3 de abril, ela se dirigiu a uma delegacia em Canoas, na região metropolitana de Porto Alegre, e prestou queixa. O delegado Cristiano Reschke, diretor da Delegacia Regional de Canoas, descreveu o caso com palavras que revelam a gravidade: “O caso é de causar perplexidade mesmo nos policiais mais experientes pela crueldade em impor um sofrimento e marcas como se estivesse tratando de um animal de sua propriedade, como gado que sofre marcações para identificar o dono”.
A operação que resultou na prisão foi conjunta entre as polícias civis do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. Durante os mandados de busca e apreensão cumpridos na clínica odontológica e na residência do suspeito, foram apreendidas duas pistolas e 61 munições. O homem permanece no Presídio Regional de Itapema e manteve silêncio durante o interrogatório.
O que torna este caso ainda mais preocupante é o histórico do suspeito. A Polícia Civil aponta que ele possui antecedentes criminais em Santa Catarina por conduta semelhante contra duas outras mulheres, incluindo ocorrências de ameaça, lesão corporal e cárcere privado. Ou seja, não se trata de um episódio isolado, mas de um padrão de comportamento que as autoridades já conheciam.




