Acordo com americanos garante preços mínimos para terras raras da Serra Verde, diz empresa

Mina da Serra Verde, em Goiás

A mineradora brasileira Serra Verde acaba de fechar um acordo que muda o jogo para quem trabalha com terras raras no país. A americana USA Rare Earth desembolsará US$ 2,8 bilhões para adquirir a companhia. Segundo reportagem da Folha de São Paulo, o contrato inclui garantia de preços mínimos para dois elementos específicos: disprósio e térbio.

Segundo Ricardo Grossi, presidente da Serra Verde e diretor de operações, o acordo oferece exatamente o que a indústria de mineração brasileira costuma não ter: previsibilidade. “Passamos a ter maior visibilidade de receitas e condições mais seguras para investir, preservando a participação em qualquer valorização acima desses níveis”, explicou Grossi em declaração à imprensa.

Para entender por que isso importa, é preciso saber que historicamente esses produtos são vendidos por preços que não refletem seu valor real. Imagine vender algo sem saber quanto vai receber. Agora imagine fazer isso por 15 anos. Essa era a realidade das terras raras no mercado global. O novo contrato muda essa equação.

A transação será concluída no terceiro trimestre de 2026 e inclui um detalhe que mostra como funciona a geopolítica dos minerais críticos. Toda a produção da primeira fase da mina Pela Ema, em Minaçu (GO), será vendida para uma empresa de propósito específico capitalizada pelo governo dos EUA. Isso significa que Washington está apostando pesado em garantir acesso a esses elementos, que são fundamentais para ímãs de veículos elétricos, energia renovável e sistemas de defesa.

A meta é produzir cerca de 6.400 toneladas de óxidos de terras raras até o fim de 2027. Grossi também sinalizou que a equipe brasileira continuará liderando as operações em Minaçu, mantendo o trabalho local mesmo após a aquisição americana. Segundo ele, conforme a empresa evoluir e potencialmente expandir, as possibilidades de atender diferentes mercados também aumentarão naturalmente.

O executivo descartou a necessidade de aprovação do governo brasileiro para o contrato, afirmando que acordos de compra garantida são práticas comuns em mineração e agricultura.

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