Jornal dos EUA diz que PCC virou multinacional do crime e compara facção à máfia italiana
Data: 21 de abril de 2026
O jornal norte-americano The Wall Street Journal publicou na segunda-feira (20) uma reportagem que compara o Primeiro Comando da Capital (PCC) à máfia italiana, mas com a eficiência de uma corporação moderna, uma espécie de multinacional do crime. Segundo a publicação, o PCC se tornou uma das maiores organizações criminosas do mundo e está “reformulando os fluxos globais de cocaína da América do Sul para os portos mais movimentados da Europa e avançando em direção aos Estados Unidos”.
Segundo a reportagem, autoridades norte-americanas já identificaram pessoas ligadas ao PCC na Flórida, Nova York, Nova Jersey, Connecticut e Tennessee. Em Massachusetts, o gabinete do procurador federal anunciou no ano passado acusações contra 18 brasileiros com conexão à facção. O grupo agora conta com 40 mil membros e atua em 30 países, em todos os continentes exceto na Antártida.
O que torna o PCC diferente de outras organizações criminosas é justamente sua estrutura empresarial. Segundo o The Wall Street Journal, os membros mantêm um perfil discreto e empresarial, buscando fortuna, não fama. Novos integrantes aderem a um código interno rígido de conduta, e seus rituais de ingresso às vezes são realizados por videoconferência. Isso não é improviso. É organização.
A facção funciona como uma agência reguladora do mundo ilegal, organizando o tráfico internacional. Bruno Manso, especialista no grupo e coautor de “A Guerra: A Ascensão do PCC e o Mundo do Crime no Brasil”, explicou ao jornal que nenhum integrante está acima das regras em uma facção que valoriza igualdade e união, mas qualquer um pode prosperar desde que permaneça leal. Essa estrutura horizontal é um dos fatores que permitiu a rápida expansão sem a necessidade de controle territorial direto, tornando o grupo mais difícil de desmantelar.
O recrutamento funciona de forma criativa e perturbadora. Para expandir suas fileiras, integrantes do PCC vão a regiões remotas do Brasil fingindo ser pastores evangélicos. Muitos evangélicos no país aderem à teologia da prosperidade, a crença de que a riqueza é sinal de favor divino, o que ajuda a facção a avançar em comunidades pobres. Em 2023, a facção foi acusada de criar pelo menos 7 igrejas para lavar dinheiro do tráfico no Rio Grande do Norte.
Dentro dos presídios, detentos recebem promessas de apoio jurídico de advogados da facção, conhecidos como “brigada da gravata”. Fora deles, o grupo recruta pessoas em países como Colômbia, Peru e Bolívia, expandindo sua atuação até a Amazônia. Um administrador de hotel em Urucurituba resumiu a situação ao jornal: “Estamos nas mãos dos traficantes agora”. Grupos criminosos chegaram a criar um time de futebol para recrutar jovens na região.
A lavagem de dinheiro acontece em postos de gasolina, fundos imobiliários, motéis, concessionárias e empresas de construção. Mas o PCC não se limita ao tráfico de drogas. A facção também explora mineração de ouro, extração de madeira, tráfico de pessoas, pesca ilegal, caça predatória e escravização de comunidades indígenas.





O que falta admitir é que foram os EUA que exportaram o modelo neopentecostal para a América Latina, que são eles os distribuidores de armamentos, que abastecem o crime organizado e que estão lá no território deles os bilionários do crime organizado, que fomentam todo o resto, certo?