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Parlamentares de SP mandaram R$ 8 milhões em emendas a ONGs do filme de Bolsonaro

Fachada da Alesp

Data: 18 de maio de 2026

Deputados e vereadores de São Paulo despejaram ao menos R$ 7,7 milhões em emendas parlamentares para entidades ligadas à Go Up Entertainment, a produtora responsável por Dark Horse, o filme-biografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. A história é reveladora: recursos públicos destinados a projetos culturais e educacionais que, na prática, alimentaram o ecossistema de produção de uma cinebiografia presidencial. Segundo denúncias dos deputados federais Tabata Amaral (PSB-SP) e pastor Henrique Vieira (PSOL-RJ), parlamentares bolsonaristas usaram emendas como um mecanismo de financiamento indireto.

Na última sexta (15/5), o ministro Flávio Dino do Supremo Tribunal Federal determinou a abertura de uma apuração preliminar sobre possíveis irregularidades na destinação dessas emendas. A investigação mira entidades comandadas por Karina Ferreira da Gama, sócia da produtora: o Instituto Conhecer Brasil (ICB), a Academia Nacional de Cultura (ANC) e a Conhecer Brasil Assessoria.

Mário Frias, deputado federal e produtor executivo de Dark Horse, enviou R$ 2 milhões em emendas para o Instituto Conhecer Brasil. Uma para “letramento digital” (R$ 1 milhão) e outra para um projeto esportivo (R$ 1 milhão). A denúncia de Tabata levantou a questão óbvia: por que recursos federais destinados a educação digital terminam financiando o filme de um ex-presidente?

O levantamento do Metrópoles identificou mais conexões. A deputada estadual Valéria Bolsonaro (PL) mandou R$ 100 mil para o Instituto Conhecer Brasil em 2023. Lucas Bove (PL) tentou direcionar R$ 213 mil para a mesma entidade, mas a transferência foi barrada por questões técnicas. Gil Diniz (PL), aliado de Eduardo Bolsonaro, destinou R$ 200 mil à Academia Nacional de Cultura para financiar uma série documental, e Carla Zambelli enviou R$ 1 milhão para o mesmo destino.

Dois vereadores de São Paulo também tiveram emendas liberadas. Cris Monteiro (Novo) indicou R$ 100 mil para uma oficina tecnológica, e André Santos (Republicanos) mandou R$ 750 mil para um congresso de inovação em educação. Atílio Francisco, ex-vereador, canalizou quase R$ 3,6 milhões para eventos literários gospel e de dança.

A trama fica ainda mais intricada quando entra em cena o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Ele pediu R$ 134 milhões ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para viabilizar o filme. Até agora, R$ 62 milhões foram comprovados.

Mário Frias negou qualquer irregularidade. Cris Monteiro afirmou que a emenda foi escolhida por mérito técnico do projeto. Lucas Bove disse que recebeu um projeto “que parecia interessante” e redirecionou o recurso por questões documentais.

O ministro Dino não vê mérito nessa história. A apuração segue aberta, e os parlamentares citados devem prestar esclarecimentos sobre o desvio de recursos públicos.

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