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Emenda de Zambelli para produtora de filme de Bolsonaro virou alvo do TCU

Carla Zambelli

Data: 18 de maio de 2026

Quando um recurso público desaparece dos registros, algo não cheira bem. É exatamente o que aconteceu com os R$ 2 milhões que a ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) destinou para a Academia Nacional de Cultura. A entidade, presidida por Karina Ferreira da Gama (quem produziu o filme Dark Horse sobre Jair Bolsonaro), receberia a verba em julho de 2024. O problema é que o dinheiro foi depositado direto na conta do governo paulista e desapareceu dos registros.

Segundo reportagem do Metrópoles, o Tribunal de Contas da União identificou a irregularidade durante uma auditoria. A Lei de Diretrizes Orçamentárias daquele ano exigia que cada emenda fosse depositada em uma conta específica, separada das outras. Isso não aconteceu. Os R$ 2 milhões se misturaram ao caixa do Tesouro estadual, ficando irrastreável até que o TCU chamasse atenção para a irregularidade.

A série “Heróis Nacionais: Filhos do Brasil que não se rendem” seria uma produção em três episódios sobre personagens históricos com releitura conservadora. Além disso, a Academia pretendia produzir um show musical com recursos do mesmo orçamento.

O projeto todo custaria R$ 2,6 milhões, integralmente financiado por emendas de deputados bolsonaristas. Zambelli colocou R$ 2 milhões. O deputado Marcos Pollon (PL-MS), suspenso por quebra de decoro, enviou mais R$ 1 milhão. O ex-deputado Alexandre Ramagem contribuiu com R$ 500 mil. Bia Kicis completou com R$ 150 mil.

A Academia Nacional de Cultura nunca recebeu esse dinheiro. Até hoje. O valor permanece disponível nas contas do governo paulista, mas o repasse não ocorreu porque a ONG não apresentou a documentação necessária. O governo de São Paulo informou que, se as pendências não forem resolvidas, os recursos serão devolvidos à União.

Essa história ganha novo capítulo na investigação aberta pelo ministro Flávio Dino, do Superior Tribunal de Justiça, que apura suspeitas de irregularidades em emendas parlamentares para projetos culturais vinculados ao universo bolsonarista.

Karina Ferreira da Gama aparece como presidente ou sócia de quatro entidades que receberam essas emendas: Instituto Conhecer Brasil, Go Up Entertainment, Conhecer Brasil Assessoria e a própria Academia Nacional de Cultura. Todas no mesmo endereço, mesma gestão, mesma infraestrutura. Para a deputada Tabata Amaral, que pediu a investigação ao STF, essa estrutura é um “óbice à rastreabilidade dos recursos públicos”.

O caso ilustra como emendas parlamentares se tornaram um mecanismo de transferência de recursos públicos para projetos alinhados politicamente, sem os controles que deveriam existir. Quando o dinheiro desaparece da visibilidade pública e só reaparece após auditoria externa, a confiança nas instituições fica ainda mais abalada.

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