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EUA propõe tarifaço de 25% contra o Brasil por causa PIX e big techs

Donald Trump

Data: 2 de junho de 2026

O governo americano propôs aplicar uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. A proposta saiu do USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos) após uma investigação que começou em julho de 2025 e classificou como “irrazoáveis” várias práticas do Brasil.

A lista de críticas é longa. Os americanos apontam decisões judiciais que teriam ordenado remoção de conteúdo político em plataformas digitais, suspensão de perfis e multas contra empresas. Também reclamam de supostos favores a concorrentes locais em pagamentos eletrônicos. Além disso, o USTR questiona acordos preferenciais que o Brasil mantém com México e Índia, argumentando que o país oferece tarifas menores a centenas de produtos desses parceiros sem dar o mesmo tratamento aos americanos.

O etanol entra nessa briga. Desde 2017, segundo Washington, o Brasil não manteria reciprocidade no acesso ao mercado de etanol americano. O relatório também toca em desmatamento ilegal, demora do INPI para analisar patentes e o que os americanos consideram insuficientes medidas contra corrupção.


“A Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 considera que certos atos, políticas e práticas do Brasil relacionados ao comércio digital e serviços de pagamento eletrônico; tarifas preferenciais desleais; combate à corrupção; proteção da propriedade intelectual; acesso ao mercado de etanol; e desmatamento ilegal são irrazoáveis ​​e oneram ou restringem o comércio dos EUA, sendo, portanto, passíveis de ação judicial nos termos da Seção 301(b) da Lei de Comércio”, anunciou a Casa Branca.

Jamieson Greer, representante comercial dos EUA, reconheceu que as conversas com Brasília se intensificaram, mas deixou claro que as divergências persistem. “Continuamos a ter divergências substanciais na resolução das questões identificadas nesta investigação”, afirmou em comunicado.

A tarifa proposta não é absoluta. O documento lista exceções para itens que Washington considera estratégicos ou com oferta doméstica insuficiente: algumas carnes, frutas, minerais, café, chá, especiarias, cereais, sementes, fertilizantes, aeronaves, peças, terras raras, químicos orgânicos e farmacêuticos ficam de fora.

O processo segue para consulta pública com prazos definidos. O USTR fixou 22 de junho como limite para pedidos de participação na audiência, 1º de julho para comentários por escrito e 6 de julho para a audiência pública. A decisão final vence em 15 de julho de 2026.

Essa investigação acontece em um contexto específico. Em fevereiro, a Suprema Corte americana derrubou uma lei que permitia ao presidente Trump impor tarifas por conta própria. Depois disso, ele anunciou uma tarifa global temporária de 10% válida até 24 de julho. Para produtos brasileiros, isso significa que as taxas já existentes ganham um adicional de 10% no topo.

Greer reafirmou que Washington continua negociando com Brasília enquanto o processo avança. A bola está no ar e os próximos 45 dias serão decisivos para definir se essa tarifa de 25% sai do papel ou se as negociações conseguem evitar o impacto.

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