Chefe da PF na CPI do Crime Organizado: “Querem nos enfraquecer na hora da briga”
Data: 18 de novembro de 2025
A tensão tomou conta da CPI do Crime Organizado quando o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, subiu o tom contra mudanças no projeto de lei antifacções. O alvo das críticas? O deputado Guilherme Derrite (PP-SP), que quer alterar o texto de uma forma que, segundo o chefe da PF, vai tirar dinheiro justamente de quem está na linha de frente contra o crime.
“Estamos falando de descapitalizar o crime organizado. Não podemos fazer uma proposta que descapitalize a Polícia Federal”, disparou Rodrigues durante a audiência.
A ironia da situação é gritante: um projeto criado para combater facções pode acabar enfraquecendo quem as combate.
O que está em jogo
As mudanças propostas por Derrite mexem em três fundos que bancam as operações da PF: o Funapol (que compra equipamentos), o Fundo Nacional de Segurança Pública e o Fundo Nacional Antidrogas. É como tirar munição do soldado na véspera da batalha.
O projeto original surgiu após a operação no Complexo do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, que terminou com 121 mortos. A ideia era endurecer as leis contra organizações criminosas, mas agora pode sair pela culatra.
A proposta que pode mudar o jogo
Rodrigues não ficou só na crítica. Ele defendeu a PEC da Segurança Pública, que promete algo que o Brasil nunca teve de verdade: Polícia Federal, polícias civis e militares trabalhando juntas de forma coordenada.
Os números que impressionam
Para mostrar que a PF não está parada, Rodrigues soltou dados que chamam atenção.
Andrei rodrigues
Em 2023, apreendemos R$ 3 bilhões. Em 2024, R$ 6,4 bilhões. Em 2025, devemos chegar a cerca de R$ 9 bilhões efetivamente apreendidos. Isso é dinheiro, são imóveis, são veículos, aeronaves, embarcações efetivamente apreendidos. Nessa operação de hoje, a fraude é de R$ 12 bilhões. Não sei quanto vamos conseguir bloquear. Mas apreendemos na residência de um investigado R$ 1,6 milhão em dinheiro
E na terça-feira mesmo, a Operação Compliance Zero prendeu o presidente do Banco Master numa fraude de R$ 12 bilhões. Só na casa de um investigado, encontraram R$ 1,6 milhão em espécie. “Isso é descapitalizar o crime organizado”, frisou.
O bate-boca esquenta
A CPI virou ringue quando os senadores entraram na discussão. Alessandro Vieira (MDB-SE) criticou as “narrativas políticas” que dividem as forças de segurança quando deveriam estar unidas.
Sergio Moro (União-PR) não poupou críticas, cobrando uma atuação “mais incisiva” da PF e questionando por que não há forças-tarefas específicas contra as principais organizações criminosas.
A resposta veio quente de Randolfe Rodrigues (PT-AP): “Como se vai combater o crime enfraquecendo a instituição mais respeitada deste país? Não sei por que essa obsessão de alguns no enfraquecimento da Polícia Federal.”
A promessa de imparcialidade
No meio da confusão, o presidente da CPI, Fabiano Contarato (PT-ES), tentou acalmar os ânimos prometendo uma investigação “rigorosa e imparcial”. “Vamos entender como o crime se estrutura, quem o financia, quem o protege e quem dele se beneficia”, garantiu.
A questão que fica no ar é simples: o Brasil vai sair dessa CPI com uma estratégia mais forte contra o crime organizado ou vai continuar assistindo a essa briga de foice no escuro enquanto as facções se fortalecem?




