
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, entregou uma nova proposta de delação premiada à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República na segunda-feira (1º de junho). O material, descrito por fontes como “reformulado, ampliado e aprofundado”, cita nominalmente o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e detalha os repasses feitos para a produção do filme Dark Horse, que conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo investigadores, Flávio pediu 124 milhões de reais ao banqueiro para financiar a produção cinematográfica. Pelo menos 60 milhões foram de fato transferidos. Porém, a PF suspeita que parte dos recursos não foi destinada ao filme, mas sim para bancar Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, nos Estados Unidos. Outra parcela teria sido usada para lavagem de dinheiro, a fim de mascarar a origem de recursos ilegais provenientes de prejuízos ao Banco de Brasília (BRB) e de operações fraudulentas do Banco Master.
A nova proposta também inclui o senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente nacional do partido e amigo pessoal do banqueiro. Interlocutores de Vorcaro afirmam que ele não teria como não citar Ciro após a PF encontrar mensagens do senador para o banqueiro no celular de Vorcaro. A defesa do dono do Master argumenta que os pagamentos a Ciro não tiveram relação com corrupção e que a chamada “Emenda Master” foi motivada apenas por amizade.
O ministro André Mendonça, relator do caso Master no STF, monitora de perto o desenrolar da delação. A defesa de Vorcaro tem informado todos os passos e o conteúdo da proposta ao ministro. No início da semana, o advogado Sérgio Leonardo, que comanda a negociação, esteve no gabinete de Mendonça. A defesa negocia com o ministro para garantir que a delação apresentada esteja no modelo esperado, aumentando as chances de homologação.
Mendonça autorizou Vorcaro a receber seus advogados na superintendência da PF em Brasília das 9h às 17h, de segunda a sexta. A autorização, válida até 12 de junho, visava permitir que o banqueiro elaborasse sua nova proposta. Uma reunião entre os advogados de Vorcaro e integrantes da PF e PGR estava prevista para quarta-feira (3), mas foi adiada. Agora, investigadores vão analisar o material para decidir se prosseguem com as negociações de delação.



