A pesquisa Quaest divulgada sexta-feira (14) revela uma mudança significativa no cenário eleitoral. Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência, perdeu apoio entre jovens, mulheres, evangélicos e na região Sudeste. O presidente Lula agora lidera com 44% das intenções de voto contra 38% de Flávio no segundo turno, uma vantagem de 6 pontos que contrasta com o empate técnico registrado em março.
A queda de Flávio ocorre em um contexto específico. Entre maio e junho, veio à tona sua relação com o banqueiro preso Daniel Vorcaro, que repassou R$ 61 milhões ao senador para financiar a cinebiografia “Dark Horse”. No mesmo período, os Estados Unidos classificaram as facções CV e PCC como organizações terroristas e aumentaram tarifas sobre produtos brasileiros, ambas as decisões anunciadas após Flávio visitar Trump e integrantes do governo americano.
No Sudeste, região que concentra dois dos maiores colégios eleitorais do Brasil, Flávio vem em queda desde abril. Ele saiu de uma vantagem de 12 pontos para um empate técnico com Lula. No agregado Centro-Oeste/Norte, a situação é ainda mais dramática: Flávio oscilou 8 pontos para baixo, passando de 14 pontos de vantagem para apenas 2 pontos.
Entre os jovens de 16 a 34 anos, Flávio perdeu a única faixa etária em que liderava. Lula agora passa à frente nesse segmento após três rodadas consecutivas de vantagem do senador. Entre mulheres, a vantagem de Lula se ampliou, confirmando um desafio histórico da família Bolsonaro com o eleitorado feminino. Entre evangélicos, Flávio ainda lidera, mas sua vantagem caiu de 37 para 21 pontos em apenas um mês.
A maior movimentação ocorreu entre eleitores com Ensino Superior. Flávio liderava com 15 pontos em maio e agora está apenas 3 pontos à frente de Lula, em empate técnico. Entre pessoas que ganham de 2 a 5 salários mínimos, a vantagem se inverteu completamente para Lula.
Felipe Nunes, diretor da Quaest, aponta um detalhe revelador: a perda de apoio de Flávio não significa ganho automático de Lula. Ocorre em segmentos fora do núcleo lulista, especialmente entre eleitores independentes. Isso sugere que Flávio está perdendo tração com grupos menos alinhados ideologicamente, não necessariamente migrando para o petista, mas simplesmente se afastando do senador.


