Fim da Guerra? Acordo entre EUA e Irã deve reabrir Estreito de Ormuz em até 30 dias

Depois de meses de tensão que paralisou uma das rotas comerciais mais importantes do planeta, Estados Unidos e Irã chegaram a um acordo para encerrar a guerra. O anúncio veio neste domingo (14), com o presidente americano Donald Trump confirmando a notícia nas redes sociais e autorizando o fim imediato do bloqueio naval aos portos iranianos.

A negociação foi mediada pelo Paquistão, que também será palco da assinatura oficial do acordo na próxima sexta-feira (19), na Suíça. Mas aqui está o detalhe que importa: a reabertura do Estreito de Ormuz não acontece da noite para o dia. Os canais diplomáticos estipularam um prazo de até 30 dias para normalizar completamente o tráfego marítimo na região.

O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, confirmou o cronograma na televisão estatal. Segundo ele, o Irã não começará a implementar o acordo até que o documento seja assinado na sexta-feira. Depois disso, o prazo para restaurar a navegação volta aos níveis pré-guerra é de um mês. Questões mais complexas, como o programa nuclear iraniano, ficarão para discussões posteriores, com previsão de um acordo final em 60 dias.

Trump autorizou a remoção imediata do bloqueio naval americano, escrevendo em suas redes: “Por meio deste, autorizo integralmente a abertura do Estreito de Ormuz sem pedágio e, simultaneamente, autorizo a remoção imediata do bloqueio naval dos Estados Unidos.” Os EUA também se comprometeram a flexibilizar as sanções contra o Irã, permitindo que o país venda mais petróleo e recupere sua economia abalada.

O impacto nos preços do petróleo

A simples perspectiva de reabertura já movimentou os mercados. O petróleo Brent, referência global, caiu 4%, chegando a US$ 84 por barril (R$ 426). O WTI americano também registrou queda, cotado a US$ 81 por barril (R$ 411), segundo o jornal The New York Times. A razão é simples: o fechamento do Estreito de Ormuz nos últimos meses abalou a economia global ao interromper o transporte de quantidades significativas de petróleo, gás natural e fertilizantes.

O que cada lado diz que conseguiu

Os detalhes completos do acordo não foram divulgados oficialmente, mas a imprensa americana e iraniana já publicaram pontos com base em fontes dos dois governos. A CNN Internacional, citando fontes do regime iraniano, afirma que o memorando prevê um novo cessar-fogo de 60 dias em todas as frentes, incluindo o Líbano. O Irã não cobrará taxas das embarcações, e o tráfego local voltará aos níveis pré-guerra em 30 dias.

A Reuters ouviu de uma fonte do governo norte-americano que o acordo prevê a reabertura do Estreito, o desmantelamento do programa nuclear iraniano e que o Irã não receberá dinheiro de seus ativos congelados até cumprir sua parte do acordo.

Já a imprensa estatal iraniana divulgou que Teerã não abrirá mão do controle do Estreito de Ormuz nem do direito de enriquecer urânio. A agência Mehr afirma que o memorando deve suspender as sanções americanas, retirar as forças militares norte-americanas das proximidades do país e interromper as hostilidades em todas as frentes.

As críticas que não param

O acordo encerra o conflito no Oriente Médio, mas deixa em aberto questões que preocupam aliados americanos e opositores dentro do próprio Partido Republicano de Trump. Israel criticou duramente o acordo, assim como republicanos que o consideram insuficiente comparado aos termos do acordo nuclear de 2015, do qual Trump se retirou durante seu primeiro mandato.

O Irã mantém um programa de mísseis, apoio a grupos armados como o Hezbollah e um estoque de urânio altamente enriquecido. O filho do aiatolá Ali Khamenei, morto nos primeiros dias da guerra, é agora o líder supremo, embora não tenha sido visto em público desde o início do conflito. Sua aprovação foi necessária para que o Irã aprovasse o acordo.

Dentro do próprio Irã, o presidente Masoud Pezeshkian pediu união nacional e classificou como uma “vergonha” alguém que se apresenta no parlamento chamando de traidor qualquer pessoa que negocie. A mensagem reflete as tensões internas sobre as concessões feitas.