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Vorcaro pagou hospedagem de luxo em Lisboa para Hugo Motta e Ciro Nogueira

Data: 16 de junho de 2026

O banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, arcou com as diárias de um hotel cinco estrelas em Lisboa para o presidente da Câmara Hugo Motta e o senador Ciro Nogueira em junho de 2024. A informação consta de documentos da Polícia Federal enviados ao Supremo Tribunal Federal e faz parte da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes do Banco Master.

Os investigadores encontraram evidências da proximidade entre Vorcaro e os dois parlamentares através de mensagens e e-mails. Em uma conversa com um auxiliar, o banqueiro menciona a necessidade de dois quartos em Lisboa para “Ciro e Hugo”. Dias depois, o auxiliar confirma a reserva de duas suítes no hotel Four Seasons para ambos. Quando pedido para listar os nomes dos hóspedes, Vorcaro responde com uma lista que inclui Ciro Nogueira e Hugo Motta.

A PF cruzou essas mensagens com documentos encontrados nos e-mails de Vorcaro, incluindo uma fatura de hospedagem de junho de 2024 que coincide com o período das conversas. As diárias custaram EUR 3.155,71, o equivalente a aproximadamente R$ 18.256,21 na cotação da época.

O relatório da PF destaca que esse padrão de pagamento se repetia, com Vorcaro oferecendo “tratamento privilegiado” aos parlamentares, incluindo viagens internacionais, hospedagem e refeições em hotéis de luxo.

Um detalhe revelador aparece em um áudio que Vorcaro enviou ao auxiliar pedindo atenção especial com segurança e privacidade no local. O banqueiro menciona que a cidade estava lotada e pede para garantir que o restaurante do hotel estivesse privatizado para evitar que alguém visse o que acontecia lá dentro. Ele também solicita que houvesse alguém no andar inferior para monitorar quem saía do elevador.

Hugo Motta, questionado sobre as informações nesta terça-feira, respondeu apenas que está tranquilo e que defende investigações isentas e imparciais. Ciro Nogueira ainda não se manifestou sobre o assunto.

Não se trata apenas de uma viagem ocasional, mas de um sistema estruturado onde um banqueiro investigado por fraudes bilionárias pagava despesas de parlamentares em hotéis de luxo enquanto pedia discrição sobre segurança. A PF conectou os pontos entre mensagens, e-mails e faturas para montar um quadro que sugere benefícios oferecidos em troca de proximidade política.

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