Arma apreendida com segurança durante blitz aumenta a chance de Bolsonaro voltar à prisão

A pistola encontrada com o segurança de Jair Bolsonaro durante uma blitz em Brasília na segunda-feira (15) pode ter enterrado qualquer chance de o ex-presidente conseguir prorrogar sua prisão domiciliar. O ministro Alexandre de Moraes, do STF, estava considerando renovar a medida por mais 90 dias, mas o achado acendeu um alerta vermelho no magistrado.

O prazo da domiciliar vence no dia 25. Moraes cogitava estender o benefício porque Bolsonaro vinha cumprindo a restrição sem problemas aparentes, mesmo com a movimentação para a campanha eleitoral. Tudo mudou quando a arma registrada em nome do ex-presidente foi localizada com Estácio Leite da Silva Filho, seu segurança, a 33 quilômetros de distância do condomínio onde Bolsonaro está confinado.

O timing é suspeito. Estácio alegou que levava a pistola para conserto e pretendia devolvê-la no dia seguinte. Moraes, porém, viu algo diferente: um descumprimento potencial das medidas cautelares que o ex-presidente deveria respeitar. O ministro deu 24 horas para a defesa explicar por que Bolsonaro solicitou reparo no armamento justamente quando o prazo de 90 dias estava terminando. Segundo interlocutores do magistrado, essa menção explícita ao fim do período é um sinal negativo para o ex-presidente.

A Polícia Militar informou que faz revista nos carros que saem da casa de Bolsonaro, mas os veículos dos seguranças ficam estacionados na rua e não entram na garagem, portanto não passam por inspeção. Moraes vê nisso uma brecha nas medidas de segurança que deveria estar monitorando.

O comportamento do segurança durante a abordagem também levantou suspeitas. O policial Davi Evangelista Alves relatou que a pistola estava no assoalho do carro e que, quando a percebeu, o motorista fechou o vidro de forma repentina. Estácio primeiro disse que a arma constava em sua documentação funcional, mas o policial não encontrou esse registro. Só depois, quando indagado novamente, ele admitiu que a pistola era de Bolsonaro e costumava ficar dentro do veículo.

Moraes já usou violações de medidas cautelares para revogar benefícios anteriormente. Quando Bolsonaro apareceu nas redes sociais dos filhos ou tentou romper a tornozeleira eletrônica com um ferro de solda em novembro, o ministro não hesitou. A avaliação do entorno do magistrado é clara: se a explicação da defesa não convencer, Bolsonaro volta para a Papudinha, a penitenciária onde estava antes de receber a domiciliar por questões de saúde.

O ex-presidente ainda apresenta crises de soluço e oscilações de equilíbrio, conforme relatório médico enviado ao STF na sexta-feira (12). A equipe médica recomenda investigação de esofagite crônica, pedido que a defesa já fez a Moraes, que ainda não respondeu. Mas o ministro já deixou claro que a Papudinha tem condições de oferecer todos os cuidados médicos necessários, inclusive para emergências.