Lula indica Jorge Messias, advogado-geral da união, para o Supremo Tribunal Federal
Data: 20 de novembro de 2025
Luiz Inácio Lula da Silva jogou indicou Jorge Messias, atual advogado-geral da União, para ocupar uma cadeira no Supremo Tribunal Federal. A vaga ficou livre depois que Luís Roberto Barroso anunciou sua aposentadoria antecipada.
A escolha não surpreende quem acompanha os bastidores do Planalto. Messias é considerado um dos homens de maior confiança do presidente, alguém que conhece os meandros do governo desde os tempos de Dilma Rousseff e que tem trânsito livre no Palácio da Alvorada.
Quem é o escolhido de Lula
Jorge Rodrigo Araújo Messias tem 45 anos, é pernambucano e está no governo desde janeiro de 2023, quando assumiu a Advocacia-Geral da União. Mas sua história com o PT vem de antes: já integrava a equipe de transição antes mesmo de Lula tomar posse.
O currículo é sólido. Formado em Direito pela tradicional Faculdade de Direito do Recife em 2003, fez mestrado e doutorado na UnB. Entrou no serviço público em 2007 como procurador da Fazenda Nacional, função que cuida da cobrança de dívidas com a União.
Messias não é político de carreira nem nome vindo de fora. É um típico servidor público que foi galgando posições ao longo dos anos. Passou pelo Banco Central, BNDES, Ministério da Educação e Ministério da Ciência e Tecnologia.
Durante o governo Dilma, ocupou o cargo estratégico de subchefe para Assuntos Jurídicos da Presidência. Foi nessa época que construiu a relação de confiança com Lula, que agora se materializa na indicação para o STF.
Obstáculo do senado
Antes de vestir a toga, Messias precisa passar pelo crivo do Senado. Primeiro, será sabatinado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), depois terá o nome votado no plenário. Precisa de pelo menos 41 votos para ser aprovado.
Considerando a composição atual do Senado, com maioria governista, a aprovação parece provável. Mas sabatinas no Senado sempre reservam surpresas, especialmente quando se trata de indicações para o Supremo.
Perfil técnico para tempos turbulentos
A escolha de Messias reflete o momento político que o país vive. Em vez de apostar num nome de perfil mais político ou acadêmico, Lula preferiu alguém com experiência prática na máquina pública e conhecimento profundo da advocacia estatal.
Como advogado-geral da União, Messias tem sido responsável por defender os interesses do governo federal no STF. Conhece bem o tribunal, seus ministros e a dinâmica das decisões. Essa experiência pode ser valiosa numa corte que frequentemente decide sobre questões políticas sensíveis.
AGU como trampolim para o Supremo
Não é a primeira vez que um advogado-geral da União é indicado para o STF. José Antonio Dias Toffoli seguiu o mesmo caminho durante o governo Lula, em 2009. A AGU é considerada uma posição estratégica para quem tem ambições no Supremo.
O cargo dá visibilidade, permite construir relacionamentos com ministros do STF e oferece experiência em casos de grande repercussão nacional. Messias aproveitou bem essas oportunidades nos últimos dois anos.
O que esperar de Messias no STF
Baseando-se em sua trajetória, Messias provavelmente será um ministro alinhado com as posições do governo Lula, mas sem ser necessariamente um ativista judicial. Seu perfil é mais técnico que ideológico.
Pode-se esperar que defenda as prerrogativas do Executivo, mas dentro dos limites constitucionais. Sua experiência na AGU o preparou para entender os conflitos entre os poderes e a necessidade de equilíbrio institucional.
A indicação de Messias mostra que Lula aprendeu com as experiências passadas. Em vez de apostar em nomes que podem gerar polêmica desnecessária, preferiu alguém com currículo sólido e perfil técnico.
É uma jogada que busca minimizar o desgaste político da indicação, ao mesmo tempo que garante um aliado confiável no Supremo. Para um presidente que ainda tem dois anos e meio de mandato pela frente, ter um ministro de confiança no STF pode fazer diferença em momentos cruciais.
Agora a bola está com o Senado. A CCJ deve marcar a sabatina nas próximas semanas, seguida da votação no plenário. Se tudo correr como o Planalto espera, Messias deve tomar posse ainda no primeiro semestre de 2025.
Para Lula, é mais uma peça importante no tabuleiro político. Para Messias, é a coroação de uma carreira dedicada ao serviço público. Para o STF, é a chegada de alguém que conhece bem os bastidores do poder e pode contribuir para o equilíbrio entre os poderes.
A indicação ainda precisa ser confirmada, mas tudo indica que Jorge Messias está a caminho de trocar a AGU pela toga de ministro do Supremo. Uma trajetória que mostra como o mérito e a confiança política podem andar juntos na construção de uma carreira pública sólida.




