PF prende sete suspeitos de lavar bilhões do PCC e caça empresário sancionado pelos EUA

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A Polícia Federal prendeu na manhã de hoje sete das 11 pessoas alvo de mandados de prisão temporária dentro de uma operação contra um grupo suspeito de movimentar R$ 10 bilhões em recursos ligados ao tráfico internacional de drogas, com participação apontada pelo governo americano ao Primeiro Comando da Capital. Segundo o site G1, todos os detidos serão levados para a sede da Polícia Federal em São Paulo.

Entre eles está Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, sancionada pelos Estados Unidos na quarta-feira (1º) por suposta ligação com a facção. Já o empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada, também alvo das sanções americanas, segue foragido e é um dos mais procurados pela corporação.

Ao todo, a Justiça autorizou 13 mandados de busca e apreensão e 11 de prisão temporária, além do sequestro de bens que pode chegar aos mesmos R$ 10 bilhões movimentados pelo grupo. Os mandados foram cumpridos em São Paulo, Santos, Praia Grande e Santana de Parnaíba.

Segundo a Polícia Federal, o objetivo da operação é desarticular uma organização especializada em lavar dinheiro do narcotráfico por meio de um sistema bem montado: transferências de criptoativos, transporte físico de valores em espécie, operações bancárias de alto volume e repasses entre pessoas físicas e empresas. Nada muito diferente do que já se viu em outros esquemas do tipo, só que em uma escala que chama atenção mesmo entre investigadores acostumados a lidar com fraude financeira.

Por que os Estados Unidos entraram nessa história

A operação brasileira acontece dias depois de o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciar sanções contra dois cidadãos brasileiros e três empresas, justamente por supostos vínculos com o PCC. Quem aplicou a medida foi o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros, o OFAC, órgão responsável por punir financeiramente quem tem relação com organizações classificadas pelos Estados Unidos como terroristas estrangeiras. PCC e Comando Vermelho ganharam esse rótulo no mês passado, decisão do governo Trump que o governo brasileiro não endossou.

Na prática, a sanção trava qualquer bem dos alvos em território americano e coloca em risco quem tentar fazer negócio com eles por lá. Foi a terceira vez que o PCC apareceu na mira do Tesouro dos EUA, depois de ações em 2021 e 2024, mas a primeira desde que a facção passou a ser tratada oficialmente como organização terrorista.

O Tesouro descreveu Shimada como o elo entre membros do PCC na Flórida e traficantes internacionais, apontando que ele teria lavado mais de US$ 30 milhões usando rota de criptomoedas para devolver o dinheiro ao Brasil. Stella, parente e ex-secretária dele, teria ficado responsável por transportar grandes quantias em espécie e por outras tarefas logísticas do esquema.

Uma ligação que o Brasil já rastreava havia tempo

O nome de Shimada e suas empresas não eram novidade para os investigadores brasileiros. O UOL revelou, por meio do colunista Juca Kfouri, que o empresário e suas empresas estariam envolvidos em fraude contra os cofres do Corinthians, em episódio conectado à patrocinadora Vai de Bet. O caso chegou a ser mencionado pelo próprio Tesouro americano na justificativa das sanções, o que mostra como um esquema de futebol pode acabar virando peça de investigação internacional sobre lavagem de dinheiro do crime organizado.
As empresas ligadas a Shimada citadas na ação incluem a Victory Trading Intermediação De Negócios Cobranças e Tecnologia, a Pixwave Soluções de Pagamentos, a Wave Construções Inteligentes e a Avenidas Flutuantes Unipessoal, esta última registrada em Lisboa.

O caminho até a operação de hoje

De acordo com o UOL, os Estados Unidos chegaram aos dois brasileiros depois que o FBI, em força-tarefa com o Departamento de Justiça americano, prendeu em janeiro seis pessoas investigadas na Flórida por suposta conexão com a lavagem de dinheiro do tráfico ligado ao PCC. O OFAC afirmou que redes como essa se dedicam ao tráfico, ao contrabando de dinheiro em espécie para cartéis e a outras atividades que sustentam financeiramente a facção.

Procurada pelo UOL logo após o anúncio das sanções, a defesa de Shimada negou qualquer envolvimento dele com organização criminosa ou com prática de lavagem de dinheiro.

O episódio mostra como investigações que nascem dentro do Brasil ganham peso internacional quando cruzam fronteiras financeiras, e como um esquema batizado de sofisticado nos discursos oficiais, no fim das contas, seguia um roteiro conhecido: dinheiro do tráfico, disfarçado em movimentações bancárias e criptografia, tentando parecer legítimo até alguém prestar atenção nos números.