Jamieson Greer, representante comercial dos EUA, deixou claro nesta quinta-feira que a decisão sobre tarifas de 25% sobre produtos brasileiros sai do forno muito em breve. O prazo legal vence em 15 de julho. Greer admitiu em entrevista à Fox Business Network que Brasil e EUA ainda estão em desacordo profundo sobre práticas comerciais.
A semana foi intensa de audiências públicas nos EUA. Empresas gigantes como Coca-Cola, Nestlé, Tesla, Faber-Castell, eBay e Siemens enviaram comentários ao USTR pedindo que a tarifa não seja implementada. Seus argumentos são diretos: tarifas adicionais de 25% encareceriam alimentos, medicamentos e insumos agrícolas para consumidores americanos, além de desorganizar cadeias produtivas que as próprias indústrias dos EUA dependem. Setores como arroz, gelatina, sementes e agropecuária também se manifestaram contra a medida.
Do lado brasileiro, o ministro Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria e Comércio) traçou uma linha clara: o Brasil não negocia o fim do imposto de importação do etanol americano, como sugeriu o senador Flávio Bolsonaro em uma das audiências. Rosa explicou que a entrada do etanol americano prejudicaria especialmente o Nordeste, região que concentra um dos principais polos produtivos do país e já enfrenta redução de preços. Ele também ressaltou que qualquer discussão sobre etanol precisa incluir a questão do açúcar, que sofre sobretaxação nos EUA.


