Quaest: Flávio Bolsonaro perde apoio entre eleitores de direita não bolsonarista

O presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro

A pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira mostra que Flávio Bolsonaro perdeu apoio significativo entre os eleitores que se declaram de direita, mas não são bolsonaristas. O senador caiu de 74% em maio para 54% agora. Apesar da queda, continua bem à frente dos demais candidatos que tentam se posicionar como alternativa no campo da direita.

O diretor da Quaest, Felipe Nunes, explica o movimento. Em dezembro, quando Flávio anunciou sua candidatura com apoio do pai, tinha 45% de apoio nesse segmento. Subiu para o pico de 74% em maio. Desde então, só desce. A trajetória revela um padrão claro: quanto mais tempo passa, menos a direita não bolsonarista o apoia.

O que mudou? O caso “Dark Horse” foi determinante. O filme sobre Jair Bolsonaro recebeu dinheiro do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso acusado de fraudes bilionárias e de comandar um esquema que envolvia monitoramento e ameaças a adversários. Em maio, vieram à tona mensagens e um áudio em que Flávio cobrava dinheiro de Vorcaro para financiar o filme. Nunes é direto ao analisar: “Depois do caso Dark Horse, as coisas mudaram significativamente. Mas mudaram onde? Entre os bolsonaristas, não. Os bolsonaristas continuam calcificados e dando muito apoio a ele. Quem está abandonando o Flávio? A direita não bolsonarista”.

Entre os bolsonaristas, a situação é completamente diferente. O apoio a Flávio está acima de 90% desde fevereiro e permanece estável. Não há movimento de queda. Enquanto a direita não bolsonarista se afasta, os bolsonaristas se aferram.

Os demais candidatos de direita não conseguem aproveitar essa abertura. Romeu Zema tem apenas 6% das intenções de voto entre a direita não bolsonarista. Ronaldo Caiado fica com 5%. Renan Santos, com 4%. Estão tão distantes de Flávio que parecem estar em outra corrida.

No cenário geral, Lula lidera com 40%, e Flávio tem 28%. A polarização continua dominando a disputa. Caiado aparece com 4%, Renan Santos com 3% e Zema com 2%. Lula e Flávio seguem monopolizando a atenção dos eleitores.

Nunes aponta a razão: os demais nomes são ainda pouco conhecidos. A pesquisa revela que 44% não conhecem Caiado, 50% desconhecem Zema e 77% não sabem quem é Renan Santos. Quando a maioria não conhece um candidato, é difícil votar nele.

O número de indecisos cresceu. Passou de 5% em maio para 11% agora. Brancos, nulos e os que não pretendem votar somam 8%. A indecisão aumenta conforme o eleitorado se afasta de Flávio, mas não encontra alternativa clara.

A pesquisa é a primeira da Quaest a captar os impactos do vídeo em que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro expôs desavenças com Flávio e disse ter sido maltratada e humilhada. Metade dos entrevistados não sabia do vídeo. A outra metade sabia.

Entre os que conhecem o episódio, 42% concordam mais com Michelle do que com Flávio. Apenas 18% concordam mais com o senador. Para 45% dos entrevistados, Michelle acertou ao divulgar os vídeos com críticas a Flávio. Outros 38% consideram que ela errou.

A divisão é interessante quando se olha por segmento. Entre os eleitores da direita não bolsonarista, 35% acham que Michelle acertou. Entre os bolsonaristas, esse índice cai para 20%. Mesmo entre quem o apoia fortemente, uma parcela reconhece que Michelle tinha razão.

O cenário para Flávio é complexo. Mantém apoio sólido entre os bolsonaristas, mas perde terreno onde poderia crescer. A direita não bolsonarista, que poderia ser sua base de expansão, está se afastando. Os problemas com Michelle, o caso Dark Horse e a falta de alternativas viáveis criam um impasse. Flávio segue na frente, mas em um campo cada vez mais estreito.