Lideranças do PL já conheciam foto de Flávio Bolsonaro com Sicário há dois meses

Flávio Bolsonaro com Sicário

A divulgação da foto de Flávio Bolsonaro com Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o Sicário de Daniel Vorcaro, não foi surpresa para parte das lideranças do PL. Pelo menos dois caciques da legenda afirmaram que conheciam a imagem há cerca de dois meses. Um deles chegou a confrontar Flávio sobre o assunto na época.

Quando questionado há algumas semanas, Flávio respondeu que não conhecia Sicário e que costuma tirar fotos com diversos apoiadores em locais públicos. A resposta é a mesma que a assessoria dele deu quando a foto foi divulgada publicamente na quarta-feira. “Como figura pública e extremamente popular, recebe todos os dias pedidos de dezenas de pessoas pelas ruas para fotos. Impossível o senador saber quem é cada uma das pessoas que dele se aproxima”, diz a nota.

Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL, admitiu à coluna de Igor Gadelha, do Metropoles, que teve acesso à imagem há algum tempo. “Vi isso faz mais de um mês. Acho que faz muitos anos essa foto”, disse. Valdemar avalia que a foto não deve ter impacto eleitoral. Para ele, “político tira foto com todo mundo”.

Segundo o presidente do PL, o próprio Flávio deu essa justificativa quando questionado sobre a imagem há um mês. A estratégia é clara: transformar a foto em algo banal, apenas mais uma entre centenas de imagens de um político popular.

A campanha presidencial de Flávio aposta que o assunto não terá tanta repercussão eleitoral quanto a esquerda projeta. Integrantes da campanha minimizam o impacto da divulgação. Mas há um detalhe que complica essa narrativa. Segundo aliados do senador, a foto teria sido tirada em Belo Horizonte, não no Rio de Janeiro como inicialmente divulgado. A mudança de localização levanta questões sobre o que mais pode estar errado na história.

Quem é Sicário? Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão ganhou esse apelido após ser apontado pela Polícia Federal como chefe da milícia privada de Vorcaro. Ele atuava no monitoramento de pessoas, na obtenção de dados sigilosos e na intimidação de adversários. Não era um apoiador comum nas ruas. Era operador de um esquema criminoso.

A imagem foi revelada na quarta-feira pela jornalista Juliana Dal Piva do site ICL Notícias. Antes disso, circulava entre lideranças do PL há semanas.