O núcleo duro da campanha de Flávio Bolsonaro ainda não desistiu de tentar reverter a decisão da federação PP-União Brasil de se manter independente na disputa eleitoral. Segundo informações do blog do Gerson Camarotti, no G1, o grupo trabalha nos bastidores para reverter o cenário e busca uma costura política com o partido do presidente Ciro Nogueira.
Para essa ofensiva, a campanha de Flávio conta com o apoio da deputada federal Simone Marquetto, do PP de São Paulo. Além disso, o grupo acredita na possibilidade de fechar aliança com o Republicanos para compor a chapa.
Mas convencer Ciro Nogueira não será tarefa simples. Aliados do presidente do PP apontam que é difícil demovê-lo da ideia de manter independência por pelo menos duas razões. A primeira delas é pessoal: Ciro estaria magoado com a falta de defesa de Flávio Bolsonaro depois que a Polícia Federal deflagrou a Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de fraudes financeiras, lavagem de dinheiro e corrupção envolvendo o empresário Daniel Vorcaro e o Banco Master. O contraste com o outro lado do espectro político é evidente: o presidente Lula defendeu publicamente o senador Jaques Wagner, também alvo da PF por supostas relações com o Master.
A segunda razão é pragmática. O PP avalia que as disputas internas dentro da família Bolsonaro não prejudicam apenas o PL, mas também quem estiver ao lado deles. Em outras palavras, subir no palanque de Flávio significa assumir os riscos de uma dinâmica familiar que o partido prefere observar de longe.
Mesmo que o União Brasil, que forma federação com o PP, discorde da decisão de Ciro, há um detalhe no estatuto que complica a vida dos aliados de Flávio. Uma cláusula na ata de criação da federação PP-União dá aos presidentes de ambos os partidos o direito de veto. E aliados de Ciro afirmam que Antônio Rueda, presidente do União Brasil, parece não discordar da avaliação do seu par.
O cenário é desconfortável para a campanha de Flávio. O PP sinaliza independência, Ciro não esqueceu a falta de apoio durante a operação da PF, e até o União Brasil, que poderia ser uma porta de entrada, mostra sintonia com a decisão de ficar de fora. A tal cláusula de veto funciona como uma blindagem dupla contra qualquer pressão externa. Sobra para a campanha de Flávio tentar o Republicanos e continuar apostando nos contatos de Simone Marquetto para furar o bloqueio.
A pergunta que fica é se o desgaste na relação com Ciro Nogueira tem conserto político ou se a mágoa já virou posição definitiva. No xadrez das alianças, às vezes o que parece birra pessoal esconde uma leitura fria do cenário eleitoral.


