A pesquisa CNT/MDA divulgada nesta segunda-feira (11) traz um retrato que já vai ficando familiar para quem acompanha a corrida presidencial de 2026. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera o primeiro turno com 42,4% das intenções de voto, e Flávio Bolsonaro (PL) aparece em segundo com 28,7%. A diferença entre os dois é de 13,7 pontos percentuais, praticamente a mesma registrada na pesquisa anterior do instituto, de junho, quando a vantagem era de 14 pontos. Ou seja: três meses se passaram e quase nada mudou.
Os dados são do ICL Notícias, que teve acesso ao levantamento. A pesquisa ouviu 2.002 eleitores presencialmente entre os dias 5 e 9 de agosto, com margem de erro de 2,2 pontos percentuais para mais ou para menos e nível de confiança de 95%. O registro no Tribunal Superior Eleitoral está sob o número BR-06935/2026.
Depois de Lula e Flávio, o cenário de primeiro turno se afunila de vez. Ronaldo Caiado (PSD) aparece com 4%, Romeu Zema (Novo) registra 3,3% e Renan Santos (Missão) tem 2,8%. Os demais candidatos patinam abaixo de 2%. Os indecisos representam 7,2% do eleitorado, e brancos e nulos somam 6,8%. É um eleitorado pequeno, mas suficiente para mexer com a cabeça de qualquer estrategista de campanha.
Segundo turno mantém vantagem do petista
Se a eleição fosse decidida em segundo turno, Lula também levaria a melhor em todas as simulações feitas pelo instituto. O confronto mais acirrado é justamente contra Flávio Bolsonaro. Em junho, o presidente tinha 49,3% contra 37% do filho de Jair Bolsonaro. A vantagem encolheu de 12,3 para 8,9 pontos percentuais. A diferença caiu, sim, mas ainda é confortável para o governante. Outros 10,6% disseram que votariam em branco, anulariam o voto ou não compareceriam às urnas, enquanto 2,3% se declararam indecisos.
Nas outras simulações, a folga do presidente é maior. Contra Romeu Zema, Lula registra 49,1%, enquanto o ex-governador mineiro tem 34,9%. Frente a Caiado, o petista alcança 47,9%, contra 35,9% do governador goiano. Já diante de Renan Santos, Lula aparece com 48,5%, contra 33% do adversário.
Oposição fragmentada e eleitorado parado
O que chama a atenção nesses números não é apenas a liderança de Lula, mas a teimosia do quadro. A pesquisa de junho já mostrava praticamente a mesma configuração, e o tempo passou quase sem mexer nas proporções. Os candidatos de oposição seguem divididos em fatias pequenas, sem que nenhum deles consiga se projetar como alternativa real ao petista. Enquanto a oposição não converge para um nome, Lula segue na frente sem precisar fazer muito esforço para isso.
Para Flávio Bolsonaro, o resultado tem um peso duplo. A diferença no segundo turno caiu, o que mostra que ele cresce, mas a vantagem de quase 9 pontos ainda dá ao adversário uma margem tranquilizadora. Crescer sem ameaçar é o tipo de movimento que anima a base mas não muda o jogo.
A pesquisa CNT/MDA costuma funcionar como termômetro para o período que antecede o início oficial da campanha. O que ela revela, no fundo, é uma eleição em compasso de espera: o presidente na frente, a oposição ainda procurando um nome que engrene, e uma fatia de indecisos que pode mudar qualquer conta dependendo de para onde o vento soprar nas próximas semanas.


