Governo Trump acusa Brasil de censura por regra que mudou algoritmo do X nas eleições

X, antigo Twitter

Uma alta funcionária do governo Donald Trump classificou como “censura imposta pelo Brasil” uma regra eleitoral que obrigou o X, antigo Twitter, a modificar seu algoritmo para deixar de recomendar publicações de candidatos a usuários que não seguem suas contas. A informação é da Folhapress, publicada neste domingo, 17 de agosto de 2026.

A medida faz parte das regras eleitorais brasileiras para as eleições de 2026 e tem um objetivo claro: impedir que candidatos ganhem projeção artificial nas redes sociais sem que o eleitor tenha escolhido acompanhar seus perfis. Em outras palavras, a plataforma deixa de empurrar conteúdo político na sua timeline sem o seu consentimento. Soa sensato, certo? Para o governo Trump, não.

A acusação veio de uma autoridade identificada como Sarah B., que enxergou na regra brasileira um ato de censura. O detalhe curioso é que ninguém proibiu o X de publicar nada. Ninguém calou candidatos. Apenas se disse que o algoritmo não deve trabalhar de graça para ninguém durante o período eleitoral. Se o eleitor quer ver o que um candidato diz, basta seguir a conta. É pedir muito?

O que está em jogo aqui é algo que vai além de uma regra eleitoral. O governo Trump vem criticando repetidamente decisões brasileiras relacionadas à liberdade de expressão e à regulação de plataformas digitais desde o ano passado. Há também menção a produtos brasileiros, o que sugere que a pressão pode ter desdobramentos comerciais. Quando um país começa a usar argumentos de “censura” ao mesmo tempo em que discute tarifas sobre bens do país alvo da crítica, fica difícil separar a defesa da liberdade de expressão de uma simples disputa comercial.

A funcionária americana não explicou como impedir que um algoritmo faça campança gratuita para um candidato pode ser considerado censura. Afinal, a liberdade de expressão protege o direito de falar, não o direito de ter seu discurso amplificado automaticamente por uma máquina sem que o destinatário tenha escolhido ouvi-lo. Se houvesse censura de verdade, os candidatos estariam proibidos de se manifestar. Não é o caso. Eles continuam livres para postar, debater e ser seguidos.

A pressão americana também ignora um fato básico sobre como funcionam as plataformas. O algoritmo do X não é um árbitro neutro que apenas organiza o debate público. É um sistema projetado para maximizar engajamento, o que significa que ele favorece conteúdo que provoca reações intensas, não necessariamente conteúdo informativo ou verdadeiro. Permitir que esse sistema opere sem freios durante uma eleição é entregar a campanha política à engenharia de attention de uma empresa privada. O Brasil decidiu botar algum limite nisso. Os Estados Unidos acham que isso é censura.