Família Bolsonaro soma R$ 20 milhões em bens entre candidatos nas eleições de 2026

Por Cleber Lourenço e Juliana Dal Piva / ICL Notícias

Oito integrantes da família Bolsonaro que disputam as eleições de 2026 declararam à Justiça Eleitoral um patrimônio que, somado, chega a aproximadamente R$ 20,1 milhões. Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, e Michelle Bolsonaro (PL), que concorre ao Senado pelo Distrito Federal, concentram sozinhos R$ 12,67 milhões, cerca de 63% de todos os bens informados pelo grupo.

O levantamento considera Flávio (PL), Michelle (PL), Carlos (PL), Jair Renan (PL), Rogéria (PL), Renato (PL), Valéria (PL) e Marcelo Bolsonaro (PL). A família chega às urnas com candidatos à Presidência, ao Senado, à Câmara dos Deputados e a assembleias legislativas no Distrito Federal, Rio de Janeiro, Santa Catarina e São Paulo.

Alguns dados chamam atenção. Flávio Bolsonaro passou a declarar bens no nome de seu escritório de advocacia, do qual é sócio único, o que camufla o total de seu patrimônio. Michelle Bolsonaro declarou valores superiores ao que recebia como presidente do PL Mulher. No entanto, não declarou outra fonte de renda. Já Carlos, pela primeira vez desde 2012, não declarou dinheiro em espécie.

O maior patrimônio é o de Flávio Bolsonaro (PL), que declarou R$ 8,19 milhões. Em sua última candidatura antes de 2026, em 2018, o atual candidato à Presidência havia informado R$ 1,74 milhão. A diferença nominal é de R$ 6,44 milhões, alta de 370%. É o maior crescimento em valores absolutos entre os integrantes da família analisados.

Casa no Lago Sul

A maior parte do patrimônio de Flávio está concentrada na casa no Lago Sul, em Brasília, declarada por R$ 6,23 milhões. O imóvel representa cerca de 76% de seus bens. Ele também informou R$ 1,09 milhão em fundo multimercado, R$ 568,7 mil em conta corrente, além de veículo, poupança, CDB e participações societárias.

No entanto, ele não declarou entre seus bens uma Mercedes-Benz 2025 avaliada em R$ 427,5 mil. O carro está registrado em nome do escritório de advocacia do qual o senador é o único sócio. A informação foi revelada pelo jornal O Globo. Flávio declarou três empresas. Além do escritório de advocacia, ele segue sócio da Bolsonaro Digital e de uma empresa seguradora.

Michelle Bolsonaro (PL) aparece em segundo lugar, com R$ 4,49 milhões. Esta é sua primeira candidatura, o que impede uma comparação com eleições anteriores. A composição do patrimônio é quase inteiramente financeira: R$ 4,15 milhões estão em uma aplicação e outros R$ 301,7 mil em um fundo de investimento. Somados, os ativos financeiros representam aproximadamente 99,3% dos bens declarados. O único bem fora desse grupo é um Fusca avaliado em R$ 30 mil. Ela não declarou nenhuma empresa em seu nome. A reportagem também pesquisou nos bancos de dados disponíveis e não encontrou nenhum CNPJ em seu nome.

No entanto, os valores declarados por Michelle são bastante superiores ao que ela recebeu como presidente do PL Mulher desde 2023. A reportagem estima, com base nos dados do PL, que Michelle recebeu um total de R$ 1,4 milhão desde que começou a trabalhar no partido como presidente do PL Mulher a partir de 2023. Antes disso, não tinha emprego. Questionada, a candidata não retornou.

Renato Bolsonaro pediu correção

Na terceira posição aparece Renato Bolsonaro (PL), irmão do ex-presidente Jair Bolsonaro e candidato a deputado federal por São Paulo. Seu caso exige uma ressalva. A primeira declaração entregue em 2026 registrava apenas R$ 268,7 mil, apesar de Renato ter declarado R$ 3,24 milhões dois anos antes.

A defesa apresentou posteriormente um pedido de correção, informando que o patrimônio correto em 2026 seria de aproximadamente R$ 3,2 milhões. É esse valor que foi considerado na soma do levantamento. Em 2024, Renato havia relacionado, entre outros bens, um terreno em Miracatu avaliado em R$ 2,31 milhões, prédio comercial, trator, Corolla Cross e caminhões.

Carlos Bolsonaro (PL), candidato ao Senado por Santa Catarina, declarou R$ 2,78 milhões, contra R$ 1,98 milhão nas eleições municipais de 2024. São R$ 801,4 mil a mais em dois anos, crescimento de 40,4%. É a primeira vez que ele não declara ter dinheiro em espécie guardado. Desde a eleição de 2012, ele vinha declarando R$ 20 mil em dinheiro vivo. Na eleição de 2024, informou que tinha R$ 15 mil em “cash”.

A declaração atual, porém, é menos detalhada sobre parte dos recursos. Uma única categoria denominada “investimentos diversos” concentra R$ 1,95 milhão. Em eleições anteriores, investimentos, ações, criptomoedas e recursos mantidos no exterior apareciam de forma mais individualizada. A mudança não significa que esses ativos tenham deixado de ser declarados, mas impede uma comparação direta de cada item com as declarações anteriores.

O patrimônio declarado pelos quatro — Flávio (PL), Michelle (PL), Renato (PL) e Carlos (PL) — chega a aproximadamente R$ 18,66 milhões. Eles concentram, portanto, mais de 92% dos bens informados pelos oito integrantes da família considerados no levantamento.

Entre os demais candidatos, Rogéria Bolsonaro (PL), ex-mulher de Jair Bolsonaro e mãe de Flávio, Carlos e Eduardo, declarou R$ 749,1 mil. Em 2020, havia informado R$ 233,2 mil, diferença que produziria uma alta bruta de 221%.

A comparação, entretanto, é distorcida por um apartamento em Brasília avaliado em R$ 470 mil. O imóvel aparece na declaração atual, mas já pertencia a Rogéria em 2020 e não havia sido informado à Justiça Eleitoral naquela eleição. A inclusão do apartamento em 2026 explica a maior parte da diferença entre as duas declarações.

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