O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) voltou a ser cobrado sobre a divulgação dos detalhes financeiros de Dark Horse, filme que recebeu recursos de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Ao ser pressionado pelos jornalistas, demonstrou irritação e soltou: “Vocês vão parar no tempo?”. O episódio ocorreu após o parlamentar participar da reunião quinzenal da diretoria da Fiesp, em São Paulo.
A resposta é curiosa por vários motivos. Há cerca de três meses, o próprio Flávio afirmou que divulgaria um relatório com informações sobre a origem e a utilização do dinheiro empregado no longa-metragem. Agora, muda o discurso e sustenta que não cabe a ele apresentar esses esclarecimentos. Prometeu, não cumpriu e ainda fica irritado quando lembram da promessa.
Para tentar escapar, Flávio fez o que já virou rotina: desviou para Lula. “Quem tem que prestar contas não sou eu; é o Lula que tem que prestar contas”, afirmou. A estratégia é conhecida e funciona assim: quando a pergunta aperta, aponte para o outro lado e torça para o jornalista esquecer o que perguntou antes. Desta vez, no entanto, o desvio veio acompanhado de acusações mais pesadas. O candidato disse que Lula teria participado de articulações para favorecer pessoas ligadas ao Banco Master e mencionou Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, além de integrantes do governo e do PT. Todas as afirmações foram feitas sem que o candidato apresentasse uma única prova durante a entrevista.
Questionado sobre a escolha da produtora Go Up para administrar os recursos do filme, o senador argumentou que as informações financeiras já foram apresentadas às autoridades no contexto de uma investigação conduzida em São Paulo e que o assunto também chegou à imprensa. Para reforçar a versão, citou uma reportagem do G1. “Dá um Google aí. Está lá na matéria do G1 dizendo que a produtora gastou mais até do que recebeu de investimento”, declarou. A expressão “dá um Google aí” resume bem o nível de argumentação de quem está concorrendo à Presidência da República.
A possibilidade de tornar público o contrato firmado para a produção também foi levantada. Flávio evitou responder diretamente se pretende divulgar o documento. Disse que o acordo envolve uma relação entre agentes privados, com dinheiro proveniente de


