AtlasIntel mostra Lula na frente com 43,4% e Flávio Bolsonaro caindo para 33,7% no 1º turno

O presidente Lula

A pesquisa AtlasIntel divulgada nesta segunda traz números que merecem atenção de quem acompanha a corrida presidencial de perto. Lula (PT) aparece com 43,4% das intenções de voto no primeiro turno. Flávio Bolsonaro (PL) marcou 33,7%. O levantamento ouviu 5.014 eleitores por recrutamento digital aleatório entre os dias 25 e 30 de agosto, com margem de erro de 1 ponto percentual e nível de confiança de 95%.

Comparado com a pesquisa anterior da AtlasIntel, de 29 de julho, ambos os favoritos recuaram. Lula caiu de 44,9% para 43,4%, uma queda de 1,5 ponto. Flávio desceu de 35,8% para 33,7%, perdendo 2,1 pontos. Ou seja, os dois que dominam o debate perderam espaço, e o espaço não evaporou. Foi ocupado.

A novidade da pesquisa está exatamente nisso. Augusto Cury (Avante) saltou de 1,6% para 7,8%, um pulo de mais de 6 pontos que coloca o candidato de um partido nanico na briga pelo terceiro lugar. Renan Santos (Missão) aparece logo atrás, com 7,6%. Os dois empatam tecnicamente na disputa pela posição de alternativa à polarização. Ronaldo Caiado (PSD), que há um mês figurava como principal nome fora do PT e do PL, despencou para 3,3%. Pablo Marçal (PRTB) tem 1,9%, Romeu Zema (Novo) 1%, Samara Martins (UP) 0,9% e Rui Costa Pimenta (PCO) 0,1%.

A leitura dos números conta uma história que os palanques ainda não engoliram. Lula segue na frente e dentro da margem de erro para vencer no primeiro turno, mas o movimento de queda não é isolado. Flávio também perdeu, o que significa que o eleitor que está saindo dos dois principais não está migrando de um para o outro. Está indo para baixo, na direção de nomes que até pouco tempo nem entravam na conversa. Cury saltou quase 400% em um mês. Renan Santos se estabilizou acima de 7%. Caiado derreteu.

O que explica essa fuga? O calendário eleitoral oficial começou, o horário gratuito na TV e no rádio está no ar desde 28 de agosto, e o eleitor começa a ver que existem outras opções além das duas cabeças de chapa que dominam as manchetes. Pesquisa é foto, não filme. Mas quando a foto de um mês para o outro mostra os dois líderes caindo e dois candidatos de menor porte subindo junto, alguma coisa está se movimentando.

O dado também coloca uma questão desconfortável para a campanha de Flávio Bolsonaro. O senador vinha em trajetória de alta desde o início do ano, comendo o espaço dos adversários da direita e se consolidando como o nome do campo bolsonarista. Agora, pela primeira vez, a curva aponta para baixo.

Para Lula, a leitura é dupla. A vantagem segue confortável e a diferença de quase 10 pontos no primeiro turno coloca a reeleição dentro do campo do provável. Mas a queda de 1,5 ponto num período de apenas um mês indica que o teto do petista pode estar se aproximando.