Presente de grego: lei da base de Bolsonaro impede sua “saidinha de Natal”
Data: 28 de novembro de 2025
Jair Bolsonaro, agora um presidiário, deve passar o Natal atrás das grades. E o motivo tem um sabor especial de ironia política. A mesma lei que seus apoiadores aprovaram em 2024 para acabar com a “saidinha” de feriados é a que agora impede que ele mesmo desfrute do benefício.
Acontece que a regra é simples. Bolsonaro começou a cumprir sua pena por tentativa de golpe em regime fechado. E a legislação, endurecida com o voto unânime do seu partido, o PL, e da ampla maioria de seus apoiadores, proíbe a saída temporária para quem está nessa condição. O benefício ficou restrito apenas aos presos do regime semiaberto.
É o tipo de reviravolta que parece roteiro de filme. A lei foi uma bandeira da oposição a Luiz Inácio Lula da Silva. Os bolsonaristas fizeram um cavalo de batalha para derrubar os vetos do presidente e comemoraram a vitória da “mão dura” contra a criminalidade. Mal sabiam eles que estavam, na prática, trancando a porta da cela do próprio líder.
Para que Bolsonaro pudesse sonhar com um Natal em família, ele precisaria ir para o regime semiaberto. Mas isso não vai acontecer tão cedo. A progressão de regime exige o cumprimento de uma parte da pena, bom comportamento e outros requisitos. Como ele acabou de ser preso e sua condenação é longa, a conta simplesmente não fecha.
A nova lei foi ainda mais rigorosa do que muitos imaginavam. Ela acabou com as saídas para visitas familiares e datas comemorativas mesmo para quem já está no semiaberto, deixando apenas autorizações para estudo ou trabalho. Ou seja, o Congresso que Bolsonaro tanto influenciou criou uma regra tão rígida que nem ele escapa.
A bandeira do “preso bom é preso trancado” acabou se aplicando a um alvo que seus defensores jamais imaginaram. A lei feita para atingir os “outros” agora se volta contra o próprio líder do movimento. Resta saber como os seus apoiadores vão explicar essa manobra do destino.




