Hora da verdade: CPMI chama Zema e dono do Banco Master para dar explicações
Data: 4 de dezembro de 2025
A quinta-feira foi movimentada para quem gosta de ver poderoso sendo chamado para prestar contas. A comissão que investiga as falcatruas no INSS decidiu convocar duas figuras que andam no centro das atenções: o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), e Daniel Bueno Vorcaro, dono do Banco Master. Os dois vão ter que explicar o que sabem sobre empréstimos consignados que podem ter prejudicado aposentados e gente pobre.
O caso do banqueiro é mais direto. O Banco Master que ele comanda virou especialista em gerar reclamações de aposentados sobre crédito consignado. Tanto que o deputado Alfredo Gaspar (União-AL), relator da comissão, achou que esse histórico de queixas merecia uma conversa cara a cara.
Para não deixar nada passar, a CPMI também aprovou quebrar todos os sigilos de Vorcaro e pediu ao Coaf um relatório completo sobre as movimentações financeiras dele. Vale lembrar que o empresário já foi preso por suspeita de fraudes que podem chegar a R$ 12 bilhões.
A história de Zema tem outro tempero. O deputado Rogério Correia (PT-MG) foi quem pediu a convocação do governador, lembrando que a Zema Financeira, empresa da família, foi uma das poucas autorizadas pelo Banco Central a oferecer empréstimos consignados para quem recebia o antigo Auxílio Brasil. O esquema permitia descontar até 40% do benefício de famílias vulneráveis, uma fatia pesada para quem já vive no aperto.
Quando soube da convocação, Zema tentou se livrar da bronca. Mandou uma nota dizendo que saiu da empresa quando virou governador em 2018, como se isso resolvesse a questão. Só que o deputado Correia não comprou a história. Fez questão de explicar que Zema pode ter saído da direção por obrigação legal, mas continua sócio com 16,41% das ações. Somando com as fatias do pai Ricardo (51%), do irmão Romero (16,41%) e da irmã Luciana (16,18%), a família controla 100% do negócio.
Para temperar o drama, a deputada Adriana Ventura (Novo-SP) fez questão de reclamar que Zema foi “convocado” e não apenas “convidado”. A diferença não é só de educação: convite você pode recusar, convocação é ordem que não se discute. Segundo ela, o governador viria “mostrar como se faz política” e “como se faz o estado mais transparente”. Uma pena que a transparência não tenha aparecido antes, quando a família lucrava com empréstimos para gente pobre.
Agora é esperar para ver o que esses dois têm a dizer quando estiverem sob os holofotes da comissão. O Brasil inteiro quer saber se o sofrimento de aposentados e famílias pobres virou mesmo um negócio lucrativo nas mãos de quem deveria zelar pelo bem comum.




