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Datafolha mostra Lula dominando a esquerda enquanto direita se fragmenta entre vários nomes

Data: 8 de dezembro de 2025

Uma nova pesquisa do Datafolha jogou luz sobre um fenômeno que já estava no ar: enquanto a esquerda brasileira se organiza quase que unanimemente em torno de Lula, a direita anda meio perdida tentando descobrir quem vai carregar a bandeira depois da prisão de Bolsonaro.

Os números são bem reveladores. Quando perguntados sobre quem consideram o maior líder da esquerda, 56% dos brasileiros apontaram direto para Lula. Já na direita, Bolsonaro conseguiu apenas 35% das menções como principal nome do campo conservador.

A pesquisa ouviu mais de 2 mil pessoas entre os dias 2 e 4 de dezembro, e o que mais chama atenção não são só os percentuais, mas a bagunça que se formou do lado direito do espectro político.

Imaginem a cena: 36% dos entrevistados simplesmente não souberam dizer quem é o maior nome da direita hoje. Entre os próprios petistas, quase metade (46%) admitiu não saber quem lidera o campo oposto. Tem até gente que acha que Lula é líder da direita também – 16% dos petistas disseram isso.

O mais interessante é que Lula aparece em segundo lugar quando o assunto é liderança da direita, com 9% das menções. Isso mesmo: o presidente consegue mais reconhecimento como líder conservador do que Tarcísio de Freitas, que ficou com 5%, ou Michelle Bolsonaro, com meros 2%.

Flávio Bolsonaro, que se lançou candidato à presidência na sexta-feira passada com a bênção paterna, aparece com apenas 1% na pesquisa. O timing não ajudou – a coleta de dados terminou antes do anúncio da pré-candidatura, mas mesmo assim o número é bem modesto para quem quer herdar o legado político do pai.

A fragmentação da direita fica ainda mais evidente quando vemos que governadores como Romeu Zema e Ratinho Jr. nem pontuaram na pesquisa. Ronaldo Caiado conseguiu 1%, empatado com Flávio.

Do outro lado, a esquerda apresenta um cenário bem diferente. Depois de Lula, o segundo colocado como líder esquerdista é… Bolsonaro, com 5%. Sim, tem gente que vê o ex-presidente como líder da esquerda. Alexandre de Moraes aparece com 2%, e Fernando Haddad com 1%.

Os dados mostram algo que analistas políticos já vinham observando: a direita brasileira vive um momento de indefinição sucessória. Entre os próprios bolsonaristas, 52% ainda veem Jair como o principal nome do campo, mas quando o assunto é a esquerda, 60% deles reconhecem Lula como líder.

Já os petistas demonstram mais coesão: apenas 20% veem Bolsonaro como líder da direita, enquanto 51% identificam Lula como o principal nome da esquerda.

Essa concentração em torno de Lula pode ser uma faca de dois gumes para a esquerda. Por um lado, garante unidade e força política. Por outro, não aponta para o crescimento de lideranças alternativas mais jovens, como Haddad ou Boulos, que poderiam dar continuidade ao projeto político quando Lula decidir se afastar.

A indefinição na direita também reflete as especulações sobre 2026. Muitos ainda apostam que Tarcísio pode emergir como o verdadeiro herdeiro do bolsonarismo, enquanto outros veem na candidatura de Flávio uma jogada para fortalecer o filho diante dos atritos recentes com Michelle.

O que fica claro é que, enquanto a esquerda tem seu líder bem definido, a direita ainda procura o seu sucessor. E essa busca promete movimentar bastante o cenário político nos próximos anos.

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