STF julga mais seis envolvidos na tentativa de golpe: o cerco se fecha
Data: 9 de dezembro de 2025
O Supremo Tribunal Federal volta a se reunir nesta terça-feira (8) para mais um capítulo da novela golpista que não para de render episódios. Desta vez, seis personagens do segundo núcleo da trama estão no banco dos réus, e a coisa promete esquentar.
A Primeira Turma do STF, comandada pelo ministro Alexandre de Moraes como relator, vai decidir o destino de uma turma que inclui desde ex-assessores palacianos até militares de alta patente. Entre os acusados estão Filipe Martins, que era assessor internacional de Jair Bolsonaro, e o general Mario Fernandes, que aparentemente tinha planos bem específicos para alguns desafetos.
O que cada um fez na história
Segundo a Procuradoria-Geral da República, cada réu teve seu papel bem definido no golpe. Filipe Martins teria ajudado a escrever a famosa “minuta do golpe”, aquele documento que Bolsonaro pretendia usar para justificar um estado de sítio na região do Tribunal Superior Eleitoral.
Já o general Mario Fernandes ganhou destaque especial por ter criado o “Punhal Verde Amarelo”, plano que previa nada menos que assassinar Alexandre de Moraes, Lula e Geraldo Alckmin.
O coronel Marcelo Câmara ficou encarregado de uma missão digna de detetive particular: monitorar ilegalmente a rotina do ministro Moraes. Enquanto isso, Silvinei Vasques, que dirigia a Polícia Rodoviária Federal, organizou operações para dificultar que eleitores do Nordeste chegassem às urnas no segundo turno de 2022.
A máquina de dados suspeitos
Para completar o time, Marília de Alencar e Fernando de Sousa Oliveira, ambos do Ministério da Justiça na época, teriam produzido os dados que embasaram essas operações questionáveis. Uma verdadeira linha de produção de informações direcionadas.
Todos os acusados negam qualquer envolvimento com a trama, como era de se esperar. Afinal, ninguém costuma confessar participação em planos de golpe de estado durante processos judiciais.
O placar até agora
Esta não é a primeira rodada de julgamentos sobre a tentativa de golpe. O STF já condenou 24 pessoas dos outros núcleos da operação, incluindo aqueles ligados diretamente ao ex-presidente Bolsonaro. Resta ainda um quinto núcleo, representado por Paulo Figueiredo, neto do ex-ditador João Figueiredo, que mora nos Estados Unidos e ainda não tem data marcada para enfrentar a Justiça brasileira.
Os crimes pelos quais os seis respondem são organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.
O julgamento acontece num momento em que o país ainda digere os acontecimentos de 8 de janeiro de 2023 e suas consequências. Cada decisão do STF nestes casos serve como termômetro de como as instituições brasileiras lidam com ataques à democracia.




