Portal do Ricardo Mello

Cara de pau: Hugo Motta justifica agressão a jornalistas na Câmara por “questões de segurança”

Data: 11 de dezembro de 2025

Olha, tem coisa que a gente vê e pensa que já viu de tudo, mas sempre tem alguém pra provar que o poço da desfaçatez é mais fundo do que imaginávamos. O presidente da Câmara, Hugo Motta, resolveu explicar por que mandou a polícia agredir jornalista na terça-feira passada, e a desculpa dele é de uma criatividade impressionante: foi por “segurança”. Segurança de quem, exatamente? Dos deputados que não querem ser filmados fazendo o que não devem? Ou do próprio presidente que não quer que a imprensa mostre a agressão ao deputado Glauber Braga? Porque jornalista trabalhando nunca foi ameaça pra ninguém, a não ser pra quem tem rabo preso.

Deixa eu traduzir essa história toda pra você entender o tamanho da palhaçada. O deputado Glauber Braga, do PSOL, ocupou a mesa diretora protestando contra a própria cassação. Protesto político, coisa normal numa democracia, você concorda? Mas aí que a coisa fica interessante: em vez de lidar com a questão política, a presidência da Câmara decidiu transformar aquilo numa operação de guerra. Chamaram a polícia legislativa, que não só tirou o deputado à força, mas aproveitou a deixa pra fazer uma limpeza geral. Expulsaram todos os jornalistas do plenário, e não foi com educação não. Foi na base da cotovelada, do empurrão, da agressão física mesmo. Imagina assim: você tá no seu trabalho, documentando o que acontece numa casa que é pública, que é nossa, e do nada aparece um policial te dando porrada porque você tá “atrapalhando a segurança”.

E pra completar o show de horrores, cortaram a transmissão da tv câmara. A justificativa oficial? “Procedimento técnico de praxe”. Vou repetir porque isso é importante: eles chamam de “procedimento técnico” o ato de esconder da população o que tá acontecendo no congresso nacional. É como se fosse normal apagar as luzes quando a coisa aperta. A nota oficial diz que, como a sessão foi suspensa, automaticamente passaram a transmitir a reunião da comissão de saúde. Sim, você ouviu certo: na hora que a democracia pega fogo, eles mudam de canal pra mostrar uma reunião sobre remédio.

A Federação Nacional de Jornalistas foi certeira ao classificar isso como “extremamente grave” e um “cerceamento ao trabalho da imprensa e à liberdade e ao direito de informação da população brasileira”. A presidente da Fenaj, Samira Castro, disse uma coisa que deveria estar gravada na testa de todo político: era possível dialogar. Mas diálogo pressupõe civilidade, e civilidade parece ser artigo em falta por lá. O mais cínico de tudo é que o próprio Hugo Motta marcou uma reunião com representantes da imprensa pra quarta-feira e depois cancelou, alegando “falta de tempo”. Falta de tempo pra conversar, mas sobra tempo pra mandar bater. E antes da sessão de ontem, fecharam o plenário pra imprensa de novo, sem explicação nenhuma.

Dois dias depois, quando a pressão aumentou, o senhor Motta solta uma notinha lamentando os “transtornos” causados aos jornalistas. Transtorno? Agressão física virou transtorno? É como chamar um assalto de “desencontro financeiro”. E ainda tem a audácia de dizer que não houve intenção de limitar o exercício da atividade jornalística. Claro que não houve intenção, foi só coincidência eles terem agredido repórter, cortado transmissão e fechado o plenário. Acontece nas melhores famílias, né?

Os jornalistas não ficaram calados. Fizeram um ato contra a censura na quarta-feira, e a associação brasileira de imprensa já avisou que vai processar o presidente da Câmara pelas violências cometidas. Porque isso não é brincadeira, não é política partidária, é ataque direto à democracia. Quando você agride um jornalista, você tá agredindo o direito da população de saber o que acontece com o dinheiro público, com os votos que ela deu, com a confiança que ela depositou. É um recado claro: “Não olhem, não fiscalizem, não se metam”.

Mas a democracia só funciona quando a gente olha, fiscaliza e se mete sim. Por isso essa briga é nossa, de todos nós que acreditamos que transparência não é favor, é direito.

1 comentários para “Cara de pau: Hugo Motta justifica agressão a jornalistas na Câmara por “questões de segurança””

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

cinco × 3 =

Notícias relacionadas