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Ramagem é notificado em processo administrativo da Abin para devolver R$ 10 mil pagos a mais pela agência

Data: 26 de dezembro de 2025

Alexandre Ramagem, aquele ex-diretor da Abin que está foragido nos Estados Unidos depois de ser condenado a 16 anos de prisão por tentar dar golpe no Brasil, acaba de receber uma notificação oficial para devolver dez mil reais que a agência pagou a mais para ele. Sim, você leu certo: o cara está fugindo da Justiça brasileira há meses, perdeu o mandato de deputado federal, virou criminoso internacional, e a burocracia brasileira está preocupada em cobrar uma diferença de encargos trabalhistas.

A Abin mandou uma notificação oficial na sexta-feira dizendo que Ramagem está “em local incerto e não sabido” e deu 15 dias para ele se manifestar sobre a devolução dos dez mil reais. Imagina a cena: o homem que coordenou operações de espionagem ilegal contra ministros do STF, que participou da trama golpista para manter Bolsonaro no poder mesmo depois da derrota nas eleições, agora vai ter que explicar para o Departamento de Gestão de Pessoas da Abin por que recebeu dinheiro a mais quando era diretor-geral.

Ramagem foi nomeado diretor da Abin em 2019 por Bolsonaro, transformou a agência de inteligência numa espécie de escritório particular de espionagem política, saiu do cargo em março de 2022 para concorrer a deputado federal pelo Rio de Janeiro, foi eleito com quase 60 mil votos, foi condenado pelo STF em setembro por tentativa de golpe de Estado, perdeu o mandato por causa da condenação, fugiu para os Estados Unidos, e agora está sendo cobrado por uma diferença de pagamento de quando trabalhava na Abin.

O que mais me impressiona nessa história toda é a naturalidade com que a burocracia brasileira trata a situação. A notificação fala que se trata de “ajustes referentes a encargos trabalhistas que recentemente percebeu-se que necessitam ser retificados”. Como se Ramagem fosse um funcionário comum que mudou de endereço e esqueceu de avisar o RH, não um foragido internacional que está escondido nos Estados Unidos para fugir de uma condenação por crime contra a democracia.

Esse é o mesmo Alexandre Ramagem que usou a estrutura da Abin para espionar ilegalmente autoridades, que participou das reuniões onde foi planejada a tentativa de golpe para manter Bolsonaro no poder, que coordenou operações de inteligência contra opositores políticos. Agora ele está nos Estados Unidos, provavelmente vivendo uma vida tranquila longe da Justiça brasileira, e recebe uma cartinha educada da Abin pedindo para devolver dez mil reais.

A ironia é gritante. Ramagem roubou muito mais do que dez mil reais do povo brasileiro quando usou a máquina pública para tentar derrubar a democracia. Ele desviou a finalidade de uma agência de inteligência que deveria proteger o Estado brasileiro e a transformou numa ferramenta de perseguição política.

Enquanto isso, Ramagem está livre nos Estados Unidos, vivendo como se nada tivesse acontecido. Ele perdeu o mandato de deputado federal, foi condenado a 16 anos de prisão, virou foragido internacional, mas continua impune.

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