Veja como será o esquema especial de segurança para julgamento de Bolsonaro no STF
Data: 26 de agosto de 2025
O Supremo Tribunal Federal (STF) implementou um robusto esquema de segurança para o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e mais sete aliados, que inicia no dia 2 de setembro. As medidas excepcionais refletem a gravidade do caso e o aumento das ameaças registradas contra a Corte nos últimos meses.
O tribunal requisitou cerca de 30 policiais de tribunais espalhados por todo o Brasil para reforçar a segurança durante as duas semanas de julgamento, que se estenderá até o dia 12 de setembro. Esses agentes já estão na sede do STF em Brasília, onde foram improvisados dormitórios com beliches para que permaneçam no local 24 horas por dia, ficando à disposição sempre que houver necessidade. A previsão é que esses policiais fiquem por pelo menos dois meses no Supremo, com possibilidade de extensão da estadia.
Além do reforço no efetivo, o esquema de segurança prevê a realização de varreduras nas residências dos ministros do STF e a restrição do acesso à Praça dos Três Poderes. Pontos estratégicos da Esplanada dos Ministérios também serão interditados para evitar qualquer tipo de ameaça ou ações inesperadas durante o período do julgamento.
Ameaças à Corte
A avaliação de integrantes do tribunal é que o reforço no efetivo é necessário diante do aumento das ameaças que a corte e seus ministros têm sofrido com a proximidade do julgamento da trama golpista, além da possibilidade de eventual condenação de Bolsonaro. A requisição de policiais de outros tribunais é uma prática já realizada pelo Supremo em outras ocasiões, mas o atual entendimento é que a Polícia Judicial precisa de reforço no efetivo permanente, com a contratação de 40 novos policiais.
O STF intensificou a articulação com a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal, definindo em conjunto as ações a serem adotadas no dia do julgamento do ex-presidente. Segundo a SSP-DF, um esquema especial está sendo montado especificamente para o STF, com planejamento constituído pela participação de instituições locais e federais.
A Polícia Civil do Distrito Federal vai atuar de acordo com protocolos especiais da SSP-DF, identificando e combatendo possíveis ameaças. Esse protocolo é ativado de acordo com iniciativas como comboios em direção a Brasília, compras de fogos de artifícios em larga escala e ameaças a ministros e outras autoridades por meio das redes sociais.
O esquema de segurança em fase final de elaboração no STF considera dois agravantes de risco importantes. O primeiro é o fato de o julgamento ocorrer em meio às comemorações da Independência, já que o 7 de Setembro cairá no domingo entre as duas semanas das sessões que analisarão as acusações contra o ex-presidente. Os bolsonaristas já anunciaram manifestações que devem concorrer com os desfiles cívico-militares tradicionais.
Como será o julgamento
O julgamento será conduzido pela Primeira Turma do STF, formada pelos ministros Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Luiz Fux. Os réus respondem pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça, e deterioração de patrimônio tombado. Em caso de condenação, as penas podem passar de 30 anos de prisão.
Além de Bolsonaro, também são réus do núcleo 1 Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência; Almir Garnier, ex-comandante da Marinha; Anderson Torres, ex-ministro da Justiça; Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional; Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa; Walter Braga Netto, ex-ministro da Defesa e candidato a vice em 2022; e Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro.
O tribunal informou que, por conta do caráter simbólico e da experiência dos eventos de 2021 e 2022, promoveu um reforço nas ações de segurança. A partir desse planejamento e mantendo as análises de risco atualizadas, o Tribunal adapta constantemente os meios e os modos de atuação para garantir a segurança de todos os envolvidos no processo.




