PL Antifacção é a manobra para blindar o crime organizado no Brasil
Data: 11 de novembro de 2025
O que deveria ser uma lei para endurecer o combate às facções virou uma armadilha para proteger exatamente quem deveria ser combatido. O parecer do deputado Guilherme Derrite (PP-SP) sobre o PL Antifacção não apenas distorce o projeto original do governo, mas cria um verdadeiro salvo-conduto para organizações criminosas no país.
A jogada é simples e perversa: retirar da Polícia Federal suas principais ferramentas no combate ao crime organizado. Derrite, com o aval do presidente da Câmara Hugo Motta (Republicanos-PB), quer que a PF só atue “em caráter cooperativo” e mediante pedido dos governos estaduais. Uma mudança que cheira mal e levanta suspeitas sobre os verdadeiros interesses por trás dessa manobra.
Quem está por trás dessa jogada suspeita
Não é coincidência que governadores como Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) e Cláudio Castro (PL-RJ) apoiem essa mudança. Os mesmos que fazem discurso de combate ao crime organizado agora querem amarrar as mãos da principal força policial do país contra as facções.
A ministra Gleisi Hoffmann foi direta ao ponto: “Todos os processos que estão no âmbito da Justiça Federal teriam que passar para a Justiça estadual. Isso realmente é um salvo conduto às organizações criminosas. Eu não sei o que está por trás, vai blindar o crime organizado no país”.
A própria PF denuncia o golpe
A Polícia Federal não ficou calada diante dessa tentativa de desmonte. Em nota oficial, a corporação foi clara: “Essa alteração afronta o processo de investigação policial e pode favorecer interesses locais eventualmente vinculados a organizações criminosas, crimes de corrupção e desvios de recursos públicos”.
O recado é cristalino: operações históricas como Tank e Quasar simplesmente não aconteceriam sob as novas regras. A maior operação contra o crime organizado da história do país, realizada em agosto pela PF, seria inviável com as mudanças propostas por Derrite.
Um projeto que ninguém conhece
O secretário nacional de Segurança Pública, Mário Sarrubbo, denunciou o que muitos já desconfiavam: “Ele não passou por ninguém. A sociedade civil não discutiu se quer que isso seja considerado terrorismo. Juntaram um projeto que reformava a Lei das Organizações Criminosas e ele não mexe mais na Lei das Organizações Criminosas”.
A estratégia é conhecida: pegar um projeto popular de combate ao crime e desfigurar completamente seu conteúdo. No lugar de fortalecer o combate às facções, criam-se brechas para protegê-las.
Até quem vive sob escolta denuncia a farsa
O promotor Lincoln Gakiya, que há anos vive sob proteção policial por causa das ameaças do PCC, foi categórico: “A lei não promove a integração. Promove a desintegração”. Quando alguém que arrisca a vida combatendo o crime organizado diz isso, é porque a situação é grave.
Gakiya sabe do que está falando. Ele viu de perto como as facções operam e entende que retirar a PF dessa equação é entregar o país de bandeja para os criminosos.
Por que essa mudança favorece o crime organizado
A resposta é simples: corrupção local. Quando você tira a investigação do âmbito federal e joga para o estadual, cria oportunidades para que interesses locais comprometidos com o crime organizado interfiram nas investigações.
A PF tem autonomia e estrutura para investigar sem interferências políticas locais. As polícias estaduais, por mais competentes que sejam, estão sujeitas a pressões e influências que podem comprometer investigações sensíveis.
O mesmo grupo que aprovou a PEC da Bandidagem
Não é surpresa que o mesmo grupo político que votou em peso a favor da PEC da Bandidagem e do PDL do Estuprador agora queira enfraquecer o combate ao crime organizado. O padrão é claro: sempre que surge uma oportunidade de proteger criminosos, lá estão eles.
A estratégia é sempre a mesma: usar o discurso de segurança pública para aprovar medidas que, na prática, beneficiam exatamente quem deveria ser combatido.
O futuro sombrio que nos espera
Se essa mudança for aprovada, o Brasil dará um passo gigantesco para trás no combate ao crime organizado. Facções como o PCC e o Comando Vermelho ganharão um respiro que não merecem, enquanto a população continuará refém da violência.
A pergunta que não quer calar é: por que deputados e governadores que se dizem defensores da segurança pública querem enfraquecer justamente a polícia que mais combate o crime organizado no país?
A resposta pode estar mais próxima do que imaginamos. E ela não é nada bonita.




