Justiça mantém prisão de banqueiro do Master em escândalo de R$ 17 bilhões
Data: 20 de novembro de 2025
(Com informações da Agência Brasil)
A Justiça Federal decidiu que Daniel Vorcaro, um dos donos do Banco Master, vai continuar atrás das grades. A decisão saiu na noite de quinta-feira (19), assinada pela desembargadora Solange Salgado da Silva, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região.
O banqueiro tentou usar um habeas corpus para sair da cadeia, mas não deu certo. Vorcaro foi preso na segunda-feira (17) quando tentava fugir do país no seu jatinho particular avaliado em quase R$ 120 milhões, direto do aeroporto de Guarulhos.
A operação que desmascarou o esquema
A Polícia Federal batizou a investigação de “Operação Compliance Zero”, um nome que já diz tudo sobre como andavam as coisas por lá. O foco é um esquema de créditos falsos do Banco Master, que incluía até uma tentativa suspeita de compra pelo Banco Regional de Brasília (BRB), instituição pública ligada ao governo do Distrito Federal.
A desembargadora foi direta na decisão: Vorcaro fica preso para “preservar a ordem pública e desarticular a organização criminosa”. Traduzindo: o cara é perigoso e pode continuar fazendo estragos se solto.
O que a investigação descobriu é de arrepiar. Segundo a magistrada, trata-se de “um grupo com notável estrutura, estabilidade e poderio econômico” que operou durante anos praticando crimes financeiros complexos.
O esquema envolvia manobras sofisticadas para fraudar o sistema financeiro, manipulação de ativos e criação de falsas narrativas para enganar os órgãos reguladores. Usavam até empresas de fachada para simular créditos que simplesmente não existiam ou eram podres.
R$ 17 bilhões em risco
O tamanho do estrago é impressionante: R$ 17 bilhões. Esse é o valor envolvido no esquema de cessão irregular de carteiras de crédito entre o Banco Master e o BRB. Para ter uma ideia, é dinheiro suficiente para construir mais de 300 mil casas populares.
A desembargadora alertou que as fraudes podem comprometer a liquidez do BRB, ou seja, o banco público pode ficar sem dinheiro para honrar seus compromissos. E quem paga a conta no final? O contribuinte, como sempre.
Como era de se esperar, a defesa de Vorcaro negou que ele tentou fugir do país. Segundo os advogados, o banqueiro “sempre se colocou à disposição para contribuir com a apuração dos fatos”.
BRB corre atrás do prejuízo
O Banco Regional de Brasília anunciou que vai contratar uma auditoria externa para investigar o caso. Também prometeu apurar “possíveis falhas de governança ou dos controles internos”.
Traduzindo novamente: o banco público admite que pode ter sido enganado por anos e agora precisa descobrir como isso aconteceu. A pergunta que fica é: onde estavam os controles quando o esquema estava rolando solto?
Mais um escândalo no sistema financeiro
Este caso do Banco Master é mais um capítulo da longa novela de escândalos no sistema financeiro brasileiro. Mostra como grupos econômicos poderosos conseguem operar esquemas milionários por anos, burlando regulamentações e colocando em risco recursos públicos.
A prisão de Vorcaro pode ser apenas a ponta do iceberg. Com R$ 17 bilhões em jogo e um esquema que durou anos, é provável que mais pessoas estejam envolvidas. A questão agora é saber se a Justiça vai conseguir desmontar toda a estrutura criminosa ou se alguns peixes grandes vão escapar da rede.
O caso também levanta questões sobre a fiscalização dos bancos públicos. Como o BRB quase foi envolvido numa operação bilionária sem perceber os riscos? Que tipo de due diligence foi feita? São perguntas que merecem respostas claras e urgentes.




