Caso Marielle Franco: STF agenda julgamento para 2026, quase oito anos após o crime
Data: 5 de dezembro de 2025
A justiça brasileira parece ter um calendário próprio, que não costuma conversar com a urgência das vítimas. Nesta sexta-feira, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, marcou para os dias 24 e 25 de fevereiro de 2026 o julgamento dos acusados no assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. A decisão veio após um pedido do relator do caso, o ministro Alexandre de Moraes, que considerou o processo finalmente pronto para ser julgado.
Isso mesmo, 2026. Quase oito anos depois daquela noite de 14 de março de 2018, quando o carro em que estavam Marielle e Anderson foi brutalmente alvejado no centro do Rio de Janeiro. Um crime que parou o país e que, aparentemente, levará quase uma década para ter um desfecho.
No banco dos réus, sentarão figuras de peso da política e da segurança pública fluminense. Os irmãos Chiquinho Brazão, deputado federal, e Domingos Brazão, conselheiro afastado do Tribunal de Contas do Rio, são apontados pela Polícia Federal como os mandantes.
Junto a eles está Rivaldo Barbosa, ex-chefe da Polícia Civil do estado, acusado de ser o cérebro por trás do planejamento do atentado. Completam o grupo Ronald Paulo Alves Pereira e Robson Calixto Fonseca, ambos ex-policiais militares, que teriam atuado no monitoramento da vereadora e na logística do crime.
Durante os interrogatórios, o roteiro pareceu ensaiado. Chiquinho Brazão chorou, chamou Marielle de “muito amável” e jurou ser seu amigo. Domingos Brazão também se emocionou e chegou a dizer que “preferia ter morrido no lugar da Marielle”, afirmando que Ronnie Lessa, o executor, destruiu sua família. Já o delegado Rivaldo Barbosa declarou que sua prisão foi um “assassinato” e que ele mesmo foi “enterrado vivo”, enquanto tentava jogar a culpa em outra pessoa.
Quando chegar o aguardado fevereiro de 2026, o julgamento seguirá um rito conhecido. O relator Moraes apresentará um resumo do caso. Depois, a procuradoria terá uma hora para sustentar a acusação. Na sequência, cada um dos cinco advogados de defesa terá o mesmo tempo para tentar desmontar as provas. Apenas ao final dessa longa jornada os ministros Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino, além do próprio Moraes, darão seus votos.
A marcação do julgamento é um passo. Resta saber se, após oito anos de espera, a resposta que virá do Supremo será suficiente para aplacar a sede de justiça por Marielle e Anderson e para mandar um recado claro a quem acredita que o poder garante a impunidade.




