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Moraes pressionou Galípolo pelo Banco Master enquanto esposa tinha contrato de R$ 129 milhões

Data: 22 de dezembro de 2025

O ministro do STF Alexandre de Moraes procurou o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, quatro vezes para fazer pressão em favor do Banco Master, que acabou sendo liquidado por fraude de mais de 12 bilhões de reais. E tem um detalhe que torna tudo ainda mais escabroso: a esposa do ministro tinha um contrato de 129 milhões de reais com esse mesmo banco fraudulento.

A informação vem da jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo, e mostra que Moraes fez pelo menos três ligações telefônicas e se encontrou pessoalmente com Galípolo para conversar sobre os problemas do banco de Daniel Vorcaro. Sim, você ouviu certo, um ministro do Supremo fazendo lobby para um banco que estava sendo investigado por fraude bilionária, enquanto sua própria esposa tinha um contrato milionário com a mesma instituição.

O Banco Master estava tentando vender sua operação para o Banco de Brasília, mas o negócio dependia de autorização do Banco Central. Aí que entra o ministro Moraes, fazendo ligações para saber do andamento da operação e chegando ao ponto de pedir que Galípolo fosse ao seu encontro pessoalmente para conversar sobre o assunto. Imagina assim: um ministro do STF usando o peso do cargo para pressionar o presidente do Banco Central em favor de um banco que estava sob investigação.

Segundo as informações do O Globo, Moraes chegou a dizer numa das conversas que gostava de Vorcaro e que o Master era combatido por estar tomando espaço dos grandes bancos. Esse era exatamente o discurso que Daniel Vorcaro usava para se defender das acusações. O ministro ainda pediu que o BC aprovasse o negócio com o BRB, mesmo sabendo que havia pendências na autorização. Foi só quando Galípolo explicou que os técnicos tinham descoberto fraudes no repasse de 12,2 bilhões de reais que Moraes reconheceu que o negócio não tinha como ser aprovado.

O escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, mantinha um contrato com o Banco Master que previa o pagamento de 129 milhões de reais ao longo de três anos. Isso mesmo, 129 milhões de reais para prestação de serviços de consultoria e assessoria jurídica, com remuneração mensal de 3,6 milhões a partir do início de 2024. O documento foi encontrado pela Polícia Federal no celular de Vorcaro durante a Operação Compliance Zero.

O contrato determinava que o escritório deveria representar o banco “onde for necessário”, sempre que acionado.

Em 18 de novembro, a Polícia Federal prendeu Vorcaro e outros seis executivos acusados de envolvimento com fraudes bilionárias. O Banco Central, no mesmo dia, decretou a liquidação extrajudicial do Master.

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