Congresso sacrifica universidades federais para engordar emendas eleitorais de 2026
Data: 23 de dezembro de 2025
O Congresso Nacional deu uma rasteira de quase meio bilhão de reais nas universidades federais. Isso mesmo que vocês ouviram: R$ 488 milhões cortados do orçamento de 2026 das 69 universidades federais do país. E sabem por quê? Para sobrar mais dinheiro para as emendas parlamentares em ano eleitoral, óbvio.
A Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior, a Andifes, soltou uma nota de “profunda preocupação” – que é o jeito educado de dizer que estão desesperados. Porque vamos combinar, quando você corta 7,05% do orçamento de uma universidade, não é “preocupação”, é desespero mesmo.
Agora vou explicar direito como funciona essa maracutaia toda, porque o negócio é mais perverso do que parece na superfície. O governo mandou o Projeto de Lei Orçamentária Anual para 2026 com um valor X para as universidades. Aí chega o Congresso, que precisa achar dinheiro para as emendas parlamentares – aquelas verbas que os deputados e senadores usam para fazer obras e comprar votos nos seus redutos eleitorais – e onde eles vão buscar? Na educação, claro.
Porque cortar emenda parlamentar em ano eleitoral é suicídio político, né? Então é muito mais fácil cortar da universidade. Imagina assim: você tem uma conta de R$ 100 para pagar e R$ 90 no bolso. Em vez de cortar o churrasco do fim de semana, você corta a comida das crianças. É exatamente isso que fizeram.
E olha que o corte não foi uniforme, não. Algumas universidades levaram uma paulada maior que outras, dependendo de qual deputado ou senador tinha mais força para proteger a instituição da sua região. Os R$ 100 milhões cortados da assistência estudantil são especialmente criminosos porque comprometem a nova Política Nacional de Assistência Estudantil, que acabou de ser aprovada este ano justamente para democratizar o acesso ao ensino superior.
Vou traduzir isso para vocês: estudante pobre que conseguiu passar no vestibular mas precisa de ajuda para se manter na universidade vai ter que escolher entre comer e estudar. Porque assistência estudantil não é luxo, é o que permite que filho de pedreiro, de doméstica, de agricultor consiga se formar em medicina, engenharia, direito.
A Andifes ainda alertou que cortes parecidos vão atingir a Capes e o CNPq, que são os órgãos responsáveis pelas bolsas de mestrado, doutorado e pesquisa científica no país. Ou seja, não estão só cortando o presente da educação superior, estão cortando o futuro também. Porque sem pesquisa não tem inovação, sem inovação não tem desenvolvimento, sem desenvolvimento ficamos eternamente exportando soja e importando tecnologia.
E tem mais: com a inflação e os reajustes obrigatórios de contratos, especialmente os de terceirizados que fazem limpeza, segurança e manutenção das universidades, o orçamento de 2026 vai ficar menor que o de 2025 em termos reais.
Esse ataque às universidades federais não é coincidência nem incompetência. É projeto político mesmo. Porque universidade pública de qualidade incomoda quem quer manter o país na ignorância e na dependência. Estudante formado em universidade federal não aceita qualquer emprego por qualquer salário, não engole qualquer mentira de político, não compra qualquer produto sem questionar.
Por isso que a extrema direita odeia tanto as universidades federais e por isso que uma parte do Congresso, mesmo não sendo de extrema direita, topa fazer esse jogo sujo. Porque no final das contas, para eles é melhor ter um povo menos educado e mais dependente de favores políticos do que uma população crítica e bem formada.




