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Trump ataca Venezuela e, sem apresentar provas, usa narcotráfico como desculpa para operação militar

Donald Trump

Data: 29 de dezembro de 2025

O presidente dos EUA, Donald Trump, confirmou nesta segunda-feira que forças americanas atacaram uma instalação na Venezuela na semana passada. Este é o primeiro ataque militar direto dos Estados Unidos em território venezuelano. E claro, ele vendeu isso como uma operação contra o narcotráfico, mas qualquer pessoa com dois neurônios funcionando sabe que Trump usa a história do narcotráfico como desculpa para justificar uma operação que tem objetivos muito mais ambiciosos.

Ele falou que houve “uma grande explosão na área do cais onde eles carregam os barcos com drogas” e que a área “não existe mais”. Muito dramático, muito hollywoodiano, mas convenientemente vago sobre os detalhes reais da operação. Ele se recusou a dizer se foi conduzida pelas Forças Armadas ou pela CIA, não especificou o local exato, e quando perguntaram se haveria novos ataques, ficou no mistério. Essa é a receita clássica de quem quer criar um clima de tensão sem assumir responsabilidade total.

A narrativa que não cola

Vou explicar aqui por que essa história de combate ao narcotráfico não convence ninguém que preste atenção nos fatos. Primeiro, Trump já havia mencionado a operação na sexta-feira durante entrevista à rádio WABC, mas sem confirmar o local. A declaração passou quase despercebida até o The New York Times pegar a informação no domingo e forçar uma confirmação oficial. Ou seja, o cara deixou escapar uma informação que não deveria ter divulgado e depois teve que correr atrás pra controlar a narrativa.

Segundo, e aqui fica interessante, até então o governo Trump vinha divulgando apenas ações em mar aberto contra lanchas supostamente usadas por narcotraficantes e apreensão de petroleiros venezuelanos. Sim, você ouviu certo, petroleiros. Porque será que numa operação contra drogas eles estão apreendendo navios de petróleo? A resposta é simples: porque o objetivo real nunca foi o narcotráfico.

A pressão militar contra a Venezuela começou em agosto, quando os Estados Unidos elevaram para 50 milhões de dólares a recompensa por informações sobre Maduro e enviaram um forte aparato militar para o Caribe. No início, a Casa Branca dizia que era tudo parte do esforço contra o narcotráfico internacional, mas com o tempo autoridades passaram a admitir, sob anonimato, que o objetivo final era derrubar o governo de Maduro. Imagina só, que surpresa.

Os verdadeiros interesses por trás da operação

De acordo com o The New York Times, os Estados Unidos têm interesse em assumir o controle das reservas de petróleo da Venezuela, que são consideradas as maiores do mundo. Pronto, aí está a verdade que eles não querem falar abertamente: isso não é sobre drogas, é sobre petróleo.

Trump e Maduro chegaram a conversar por telefone em novembro, mas segundo a imprensa americana os contatos terminaram sem avanços porque Maduro demonstrou resistência em entregar o país de bandeja. E olha que coisa interessante: em novembro a imprensa internacional informou que os Estados Unidos estavam prestes a iniciar uma nova fase de operações, com duas autoridades americanas dizendo à Reuters que operações encobertas seriam a primeira etapa das novas ações.

Nas últimas semanas, militares americanos apreenderam navios petroleiros da Venezuela, Trump determinou bloqueio contra embarcações e acusou Maduro de roubar os Estados Unidos. Roubar o quê, exatamente? O petróleo que está em território venezuelano? Porque pelo que eu saiba, os recursos naturais de um país pertencem a esse país, não aos Estados Unidos.

O padrão imperial americano

Vou repetir porque é importante entender o padrão: os Estados Unidos sempre usam pretextos humanitários ou de segurança pra justificar intervenções que têm objetivos econômicos e geopolíticos. Foi assim no Iraque com as armas de destruição em massa que nunca existiram, foi assim na Líbia com a proteção de civis, e agora é assim na Venezuela com o combate ao narcotráfico.

E olha a ironia da situação: o país que tem o maior mercado consumidor de drogas do mundo, que não consegue resolver o problema do narcotráfico nem dentro das próprias fronteiras, agora se apresenta como o salvador da América Latina contra as drogas. Os Estados Unidos têm cidades inteiras devastadas pelo crack, pelo fentanil, pela heroína, mas o problema está na Venezuela, claro.

O mais revoltante é que isso acontece numa região que já sofreu décadas de intervenções americanas. A América Latina conhece bem essa história: primeiro vem o pretexto humanitário, depois vem a operação militar, depois vem a mudança de governo, e no final quem fica com os recursos naturais são as empresas americanas. É um roteiro batido que eles aplicaram em dezenas de países.

A democracia e a soberania dos povos latino-americanos não podem ser tratadas como moeda de troca para os interesses econômicos americanos. O que está acontecendo na Venezuela é um teste para ver se a comunidade internacional vai aceitar passivamente mais uma intervenção militar disfarçada de operação humanitária. E a resposta que dermos a esse teste vai definir o futuro de toda a América Latina nas próximas décadas.

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