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Como Epstein e seus aliciadores buscaram garotas no Brasil por mais de uma década

Data: 16 de fevereiro de 2026

Os arquivos que o Departamento de Justiça dos Estados Unidos soltou sobre Jeffrey Epstein mostram algo que parece saído de um filme de crime, mas é bem real: durante mais de uma década, o bilionário e seus cúmplices montaram uma operação de recrutamento de meninas no Brasil com a precisão de uma máquina bem azeitada.

Reportagem especial do Estadão mergulhou em mais de 30 mil documentos do caso e o que emerge dali é um padrão tão organizado quanto perturbador. Não estamos falando de algo improvisado ou ocasional. Estamos falando de um sistema. Um modus operandi que funcionou como uma engrenagem: viagens estratégicas, contatos com agências de moda, concursos de beleza, tudo isso servindo como fachada para identificar e aliciar meninas, algumas delas menores de idade, para exploração sexual.

A operação tinha nomes. Jean-Luc Brunel, um agenciador de modelos francês, era o maestro das viagens. Ramsey Elkholy, um britânico músico que também atuava como intermediário, era o cara que tentava sofisticar a coisa, pensando em comprar revistas de moda e agências para facilitar o acesso. E havia também uma vítima brasileira de Epstein que, depois de ser explorada, passou a recrutar outras meninas para o bilionário.

O padrão que se repetiu em vários continentes

A coisa não era só Brasil. Os mesmos nomes aparecem em operações similares na América do Sul, Sudeste Asiático e Leste Europeia. Polônia, Lituânia, Estônia, Equador, Filipinas. O esquema era portátil, adaptável. Brunel circulava por esses países aplicando as mesmas táticas que funcionavam por aqui.

Brunel tinha uma vantagem: apoio financeiro de Epstein. Com a grana do bilionário, ele fundou a MC2, uma agência de modelos que funcionava como fachada perfeita para receber meninas estrangeiras. Bonito, né? Uma agência de modelos que era, na verdade, um ponto de coleta de vítimas.

Como funcionava no Brasil

A contadora Maritza Vásquez, que trabalhou com Epstein, deu um depoimento que explica tudo. Ela contou ao FBI que Epstein e Brunel estiveram no Brasil na década de 2000 e que aqui eles contavam com ajuda de uma cafetina local para obter prostitutas, algumas menores de idade. Não é eufemismo: era tráfico sexual mesmo.

Em 2006, pelo menos quatro meninas foram levadas para Nova York por Brunel. Duas delas tinham entre 15 e 17 anos. Epstein pagava pelos vistos delas nos EUA, que eram emitidos pela MC2. Depois elas ficavam em apartamentos do bilionário, sublocados por Brunel por mil dólares cada. Era um negócio redondo: Epstein explorava, Brunel lucrava, e as meninas ficavam presas naquele esquema.

“Jeffrey Epstein estava indo ao Brasil porque ele tinha clientes que eram de lá. Quando ele e Jean-Luc estavam lá uma mulher fornecia prostitutas a eles e algumas delas eram menores de idade”, disse Vásquez ao FBI.

Leia a reportagem completa no site do Estadão

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