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Fogo no parquinho: família Bolsonaro frita banana enquanto cresce racha no PL

Publicação de Michelle Bolsonaro no Instagram

Data: 23 de fevereiro de 2026

O PL está vivendo um daqueles momentos em que a fachada de unidade desaba de forma tão espetacular que fica difícil não rir. Ou chorar. Depende do seu ponto de vista sobre a política brasileira.

Tudo começou quando Nikolas Ferreira anunciou uma manifestação para 1º de março com o lema “Fora, Lula, Moraes e Toffoli”. Parecia simples. Parecia direto. Parecia que o deputado federal tinha uma estratégia clara. Errou em todas as contas.

Deputados do PL por São Paulo, aqueles mais alinhados ao núcleo duro do bolsonarismo, não gostaram. Criaram um grupo de WhatsApp, reorganizaram o protesto, tiraram o “Fora, Toffoli” da pauta e colocaram a anistia dos condenados pelo 8 de janeiro em primeiro plano. Nikolas perdeu a liderança do próprio ato. Assim, sem cerimônia.

O problema é que Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência, tem evitado explorar politicamente o impeachment de Toffoli. Conexões com o banco Master deixam a coisa delicada demais. Então o grupo de São Paulo estava apenas seguindo o roteiro do chefe. Nikolas, aparentemente, não recebeu o memorando.

A cobrança que virou deboche

Na sexta-feira (20), Eduardo Bolsonaro perdeu a paciência em entrevista ao SBT News. Disse que o apoio de Nikolas e Michelle à pré-campanha de Flávio era insuficiente. Mais que insuficiente: inexistente. “Eu não vi nenhum apoio da Michelle, nenhum post a favor do Flávio”, disparou.

O entorno de Eduardo avalia que Nikolas está tentando se descolar de Bolsonaro para privilegiar o próprio crescimento político. Já Michelle, segundo seus assessores, ficou decepcionada quando Jair escolheu Flávio como candidato em vez de apoiar Tarcísio de Freitas, que poderia tê-la como vice.

No sábado (21), um dia depois da cobrança pública, Michelle publicou no Instagram uma foto de bananas fritas em uma frigideira. “Ele ama banana frita”, escreveu, referindo-se ao marido preso na Papudinha.

Aqui está o detalhe: Eduardo é pejorativamente chamado de “bananinha” por seus críticos. A publicação foi interpretada por seus aliados como um deboche direto. No dia seguinte, o ex-deputado repostou um tuíte de um seguidor: “Continuem fritando banana enquanto o Flávio e o Eduardo estão trabalhando duro para resgatar o país”.

Michelle fritando banana. Eduardo reclamando de falta de apoio. Flávio tentando ser presidenciável. Nikolas perdendo sua própria manifestação. É quase uma sátira política que a realidade escreveu para nós.

O caos se multiplica

Nikolas respondeu no sábado (21), após visitar Bolsonaro na prisão. Disse estar acostumado com ataques, defendeu Michelle e afirmou que Eduardo “não está bem”. Tradução: você está paranóico, colega.

Depois veio Pablo Almeida, vereador mais votado de Belo Horizonte e ex-assessor de Nikolas, publicando um trecho de sete segundos de um vídeo de Eduardo. Na gravação, o ex-deputado fala sobre a “perseguição” do Supremo contra seu pai: “Pode prender meu pai. Talvez vá condená-lo à morte, lamento. É triste? Com certeza”.

Os aliados de Eduardo gritaram deturpação. Lucas Bove, deputado estadual do PL, respondeu com uma agressividade que só a política interna consegue produzir: “Pablo quem??? Mais um 3i: ingrato, irrelevante e imbecil!!!”.

Mário Frias, deputado que pode receber apoio da família para concorrer ao Senado em São Paulo, pediu “punição institucional” para Almeida. “Foi uma falta de respeito absurda com um cara que está exilado, sem poder ver o pai. Baixo nível”, disse à Folha.

Carlos Bolsonaro entrou na dança. Afirmou que o PL está organizado em atacar os filhos do presidente em vários locais. “O que está cristalino é mais uma tentativa interna de explosão do nome de quem proporcionou fazer o partido chegar até onde chegou”, escreveu.

Gil Diniz, deputado estadual e ex-assessor de Eduardo, também cotado para o Senado em SP, denunciou um padrão no PL Jovem de silenciamento sobre a pré-candidatura de Flávio. “Resta saber de onde está saindo a ordem para uma sabotagem tão bem coordenada!”, questionou.

O presidente do partido também está confuso

Valdemar Costa Neto, presidente do PL, entrou em rota de colisão com Carlos Bolsonaro no fim de semana. Carlos afirmou que o pai está preparando uma lista de pré-candidatos ao Senado e aos governos estaduais. Valdemar respondeu que “todos no partido têm o direito de indicar nomes para qualquer posição”.

Carlos voltou a escrever no X: “Me parece que as coisas estão meio desencontradas sem querer querendo! As peças todas parecem se encaixar”. E completou com uma frase que resume tudo: “Deixar o preso político isolado e fazendo isso que estamos vendo e de forma acentuada está cada dia mais… estranho!”.

Estranho é uma palavra generosa para descrever o que está acontecendo no PL. O partido que prometia ser a força renovadora da direita brasileira está se despedaçando em tempo real, com a família Bolsonaro liderando o espetáculo de desunião.

Enquanto isso, Lula governa. E o Brasil segue seu caminho, observando a direita se autodestruir com a eficiência de quem realmente sabe como fazer isso bem feito.

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