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PGR pede condenação de cinco acusados do assassinato de Marielle

Julgamento de Marielle no STF

Data: 24 de fevereiro de 2026

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal começou nesta terça-feira (24) o julgamento de cinco réus acusados de matar a vereadora Marielle Franco e seu motorista Anderson Gomes. O ministro Alexandre de Moraes, relator do processo, foi direto ao ponto e disse que as provas apresentadas pela Procuradoria-Geral da República não deixam dúvidas de que os irmãos Domingos Inácio Brazão e João Francisco Inácio Brazão foram os mandantes. Ponto. Sem subterfúgios, sem interpretações criativas da lei.

Cinco pessoas estão na mira da justiça: Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro; seu irmão Chiquinho Brazão, ex-deputado federal; Rivaldo Barbosa, ex-chefe da Polícia Civil; o major Ronald Alves de Paula; e Robson Calixto, ex-policial militar. Todos presos preventivamente.

A delação premiada do ex-policial Ronnie Lessa, aquele que disparou as balas que mataram Marielle e Anderson, revelou a engrenagem criminosa. Rivaldo Barbosa participou dos preparativos. Ronald monitorava a rotina da vereadora e repassava informações. Robson Calixto entregou a arma. Cada um com sua função numa organização que funcionava como uma empresa bem estruturada, com divisão de tarefas e tudo mais.

É importante entender as motivações para o crime que repercutiu em todo mundo. Segundo a acusação do vice-procurador-geral Hindemburgo Chateaubriand, os irmãos Brazão não eram apenas dois políticos ambiciosos, eles lideravam uma organização criminosa armada que operava através de grilagem de terras, exploração de milícias e construção de currais eleitorais. Enquanto isso, Marielle se opunha veementemente aos projetos de lei que beneficiavam esse esquema. Ela ameaçava a revogação fundiária que contrariava o padrão de poder territorial consolidado pelas milícias.

Em outras palavras, a vereadora estava no caminho do dinheiro sujo. E quando alguém está no caminho do dinheiro sujo no Rio de Janeiro, as coisas tendem a ficar perigosas.

O que torna tudo ainda mais sombrio é o papel de Rivaldo Barbosa. O homem foi empossado como chefe da Polícia Civil na véspera dos homicídios. No dia seguinte aos crimes, nomeou Giniton Lages para presidir as investigações sobre o caso Marielle Franco. Giniton, sob supervisão próxima de Rivaldo, cumpriu a tarefa de constranger Orlando de Oliveira Araújo a assumir autoria do crime. Quando Orlando se recusou, Giniton fabricou provas para incriminá-lo. Isso não é apenas obstrução de justiça. É a polícia a serviço do crime organizado, usando o poder do Estado para proteger bandidos.

O que o julgamento no STF está expondo agora é a estrutura de poder que sustenta o crime organizado no Rio de Janeiro há anos. Não é um crime isolado. É um sistema onde milícias exercem domínio territorial, controlam campanhas eleitorais, e contam com a participação de agentes públicos para permanecer impunes. Juízes, parlamentares, policiais civis e militares, tanto da ativa quanto da reserva, fazem parte dessa engrenagem.



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