MP admite erro e Carlos Bolsonaro volta a ser investigado por desvio de dinheiro público

O ex-vereador Carlos Bolsonaro

O Ministério Público do Rio de Janeiro reabriu a investigação contra o ex-vereador Carlos Bolsonaro e outras 25 pessoas por suspeita de desvio de dinheiro público através de funcionários fantasmas. A decisão saiu no dia 9 de fevereiro, quando a Procuradoria-Geral de Justiça considerou o arquivamento anterior prematuro e determinou que a 4ª Promotoria de Justiça de Investigação Penal Especializada retomasse as diligências.

Aqui está o detalhe interessante: em setembro de 2024, o próprio Ministério Público havia arquivado o caso. Na época, o promotor Alexandre Murilo Graça argumentou que não havia “qualquer circulação de valores para as contas de Carlos Bolsonaro”. Só que em janeiro de 2025, o juiz Thales Nogueira Cavalcanti Venâncio Braga discordou dessa conclusão, apontou omissões e contradições na investigação e devolveu o caso para análise da Procuradoria. Resultado: a instituição mudou de ideia.

A nova apuração vai se debruçar sobre pontos que a investigação anterior deixou de lado. Um deles é a forma como Carlos Bolsonaro pagava seu plano de saúde. Segundo relatório, em nove anos de contratação, apenas um boleto foi quitado pela conta bancária dele. Outro ponto é a compra de um apartamento em Copacabana em 2009, declarado por R$ 70 mil, valor considerado muito abaixo do mercado à época. Há também os acessos frequentes a um cofre bancário, com pelo menos um acesso por mês durante anos.

A denúncia original apontava que o chefe de gabinete Jorge Luiz Fernandes teria comandado a arrecadação de cerca de R$ 1,9 milhão entre 2005 e 2021, valor que seria devolvido por funcionários nomeados no gabinete.

Sete desses funcionários foram denunciados por peculato. Curiosamente, Fernandes continua trabalhando na Câmara Municipal, agora no gabinete de Alana Passos, que herdou o cargo de vereadora após a renúncia de Carlos Bolsonaro.

A lista de investigados inclui Ana Cristina Siqueira Valle, ex-mulher do ex-presidente Jair Bolsonaro, que foi chefe de gabinete de Carlos entre 2001 e 2008. Relatórios de inteligência financeira apontaram depósitos em dinheiro vivo que somam até R$ 340 mil na conta dela. A defesa de Ana repudiou a reabertura, chamando o procedimento de “absolutamente recheado de nulidades absolutas” e mencionando “fishing expedition” e “fatos claramente prescritos”.

Carlos Bolsonaro deixou a Câmara há dois meses, após 25 anos no cargo. Sua defesa ainda não se manifestou sobre a reabertura da investigação.