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Depois de pancadaria, CPMI do INSS aprova quebra de sigilo de Lulinha

Pancadaria durante sessão da CPMI do INSS

Data: 26 de fevereiro de 2026

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS aprovou nesta quinta-feira (26) a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Fabio Luis Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula. A votação foi simbólica, com sete votos contra, segundo a contagem oficial, embora a base governista conteste o resultado alegando fraude na apuração. O que deveria ser um procedimento técnico virou cena de pancadaria, com deputados trocando socos.

Por que a quebra de sigilo?

Silva é citado na decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que autorizou a Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) a realizarem, em 18 de dezembro de 2025, uma nova fase da Operação Sem Desconto, que investiga o esquema nacional de descontos não autorizados que lesou milhões de aposentados e pensionistas de todo o Brasil.

O esquema fraudulento no INSS que roubou milhões de aposentados e pensionistas de todo o Brasil começou no governo de Jair Bolsonaro e só passou a ser investigado no governo Lula.

Segundo os autos, há três supostas menções ao filho do presidente. Um ex-sócio de Antônio Camilo Antunes, o Careca do INSS, afirmou que ele seria “sócio” em projeto ligado à cannabis medicinal e teria recebido R$ 25 milhões para negócio de “kits de dengue”, além de uma suposta “mesada” de R$ 300 mil.

De acordo com o que vem sendo divulgado na imprensa, mensagens interceptadas mostram o Careca do INSS orientando um funcionário a pagar R$ 300 mil para “o filho do rapaz”, interpretado pelos investigadores como referência a Lulinha.

Há também a questão das passagens aéreas. Lulinha e Roberta Luchsinger, que foi alvo da operação “Sem Desconto”, tiveram bilhetes emitidos sob o mesmo localizador. Para a PF, isso indicaria aquisição conjunta e reforçaria o vínculo entre ambos, embora os investigadores não informem quem pagou pelos bilhetes. Roberta, segundo a Polícia Federal, integraria o núcleo político do grupo liderado pelo Careca do INSS e teria atuado na movimentação de valores e gestão de estruturas empresariais usadas para ocultação de patrimônio.

A defesa de Lulinha nega tudo. O advogado Marco Aurélio de Carvalho afirmou que o cliente não tem relação com as fraudes nem nunca foi sócio do Careca do INSS. Em nota, a defesa argumenta que Silva se colocou à disposição do Supremo para prestar esclarecimentos, mas que o acesso aos autos ainda não foi concedido, impedindo qualquer manifestação atual. “Trabalhamos com fatos e provas, não com o combate contra conjecturas inverificáveis”, disse o advogado Guilherme Suguimori Santos.

Lula, em entrevista ao UOL, afirmou que o filho “vai pagar o preço se estiver envolvido”. O presidente chamou Lulinha para conversar quando surgiram as primeiras notícias e deixou claro que, se houver irregularidade, ele deverá responder por isso.

Quebra de acordo

A confusão que começou após a votação revelou as tensões reais por trás dessa história. O deputado Rogério Correia partiu para cima do relator Alfredo Gaspar, depois empurrou Luiz Lima, que revidou com socos. A sessão foi interrompida e a transmissão da TV Senado suspensa. Segundo Duarte Jr., deputado federal PSB-MA, foi “uma cena extremamente constrangedora: copos sendo quebrados, troca de socos, troca de agressões”. A Polícia Legislativa interveio.

Paulo Pimenta, deputado PT-RS, contestou o resultado da votação, afirmando que a contagem dos votos estaria incorreta. Segundo a base governista, 14 parlamentares titulares na CPMI se manifestaram contra a quebra dos sigilos, não sete como proclamado pelo presidente da CPMI, senador Carlos Viana. Pimenta prometeu levar a questão ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre.

As decisões de quebra de sigilo aprovadas por uma CPMI têm caráter obrigatório. Pela Constituição, as CPMIs têm poder de investigação que inclui determinar a quebra de sigilos bancário, fiscal, telefônico e de dados, sem necessidade de autorização judicial prévia. Os órgãos devem cumprir as ordens aprovadas pela comissão.

A CPMI também aprovou 86 outros requerimentos na mesma sessão, incluindo a quebra dos sigilos do Banco Master e convocações de ex-executivos, empresários e políticos ligados ao esquema. Entre os convocados estão o ex-deputado federal André Luis Dantas Ferreira, apontado como possível articulador da fraude no estado de Sergipe, e Danielle Miranda Fontelles, apontada como responsável por operar estruturas dos fraudadores no exterior.

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