Enquanto máquinas de limpeza ficavam paradas em cidades destruídas pela chuva em Minas Gerais, o governador Romeu Zema e o deputado federal Nikolas Ferreira gravavam vídeos para suas redes sociais. A cena, registrada por moradores e compartilhada na internet, virou símbolo de como o oportunismo político desrespeita os cidadão mesmo nos momentos de tragédia e desespero.
Ubá foi devastada por chuvas que deixaram pelo menos 64 mortos no estado, sendo 6 em Ubá e 58 em Juiz de Fora. Pelo menos 5 pessoas continuam desaparecidas. Enquanto equipes trabalhavam na limpeza, Nikolas estava no meio do canteiro de obras fazendo, nas palavras de um morador, “videozinho para o TikTok dele”. Um homem da sua equipe o gravava com celular enquanto tratores e retroescavadeiras ficavam imobilizados.
“Sabe por que está tudo parado desse jeito? Máquina querendo trabalhar, uma outra máquina impossibilitada de trabalhar, o trânsito todo fechado ali? Por conta do Nikolas, o chupetinha, está aqui fazendo mídia, fazendo vídeo, atrapalhando”, reclamou um morador em vídeo que circulou nas redes. Outra mulher foi mais direta: “O povo quer trabalhar. Sai do meio da rua, cambada de canalha. Pelo amor de Deus, que vergonha”.
Zema também enfrentou protestos. Uma moradora o confrontou enquanto ele gravava com um residente, cobrando a falta de maquinário para a limpeza. “Não vem aqui fazer política. Aqui, não. É fácil vir falar agora. Nem um caminhão-pipa pra jogar uma água nos estabelecimentos tem”, disse ela. Quando um morador pediu calma, ela retrucou: “A gente precisa de ajuda. Não tem calma, a gente tá ali no brejo. Um absurdo”.
O que fica evidente é a diferença entre estar presente e ser útil. Quando um deputado federal vai a uma cidade destruída por uma tragédia natural, a expectativa é que ele coordene recursos, agilize ajuda, resolva problemas. Não que ele interrompa o trabalho das máquinas que reconstroem a cidade para gravar conteúdo e lacrar nas suas redes sociais.


