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SP tem maior índice de mortes cometidas por policiais em seis anos

Ação policial em SP

Data: 2 de março de 2026

Fonte: Brasil de Fato
São Paulo virou um laboratório de como desmantelar políticas de controle de violência policial. Em 2025, o estado registrou 877 mortes em decorrência de ações policiais, o maior índice dos últimos seis anos, segundo dados do Gaesp, órgão do Ministério Público que fiscaliza a atividade policial. Quando Tarcísio de Freitas (Republicanos) assumiu o governo em 2023, as mortes já estavam em alta. Mas de 2023 para 2025, o aumento foi de 60%. Não é coincidência. É política.

Para entender o tamanho do problema, basta comparar com o passado. Em 2020, primeiro ano da pandemia, foram 856 mortes. Depois caiu para 626 em 2021 e 477 em 2022. Isso porque havia políticas de controle de letalidade em vigor. Câmeras corporais com gravação ininterrupta, comissão de mitigação de risco, mecanismos de verificação de imagens aleatórias. Tudo funcionava. Tudo foi destruído.

Carolina Diniz, coordenadora de Enfrentamento à Violência Institucional da Conectas Direitos Humanos, é clara sobre o que aconteceu. A atual gestão não apenas desmontou esses mecanismos como acompanhou o desmonte com “discursos públicos que autorizam essas ações letais”. O programa Olho Vivo, que estruturava a gravação ininterrupta, foi acabado. O modelo substituto não funciona direito. Usa acionamento manual ou pelo Centro de Operações da Polícia Militar, o que cria brechas. Se o policial não se lembra de acionar a câmera, não há gravação. Se há problema técnico, quem prova que não foi seletividade?

O perfil das vítimas é sempre o mesmo. Homens jovens, negros, moradores de periferias e favelas. Em 2025, o interior paulista concentrou 40% dos casos, com destaque para Campinas e Piracicaba. Mas a expansão é geral. São José dos Campos, Baixada Santista, todo o estado registra aumento expressivo.

O problema não é só São Paulo. O Brasil inteiro está preso nesse ciclo. Em 2025, foram 6.519 mortes por intervenção policial no país, mantendo o patamar acima de 6 mil óbitos anuais pelo quarto ano consecutivo. Rio de Janeiro registrou 798 mortes. Em outubro, uma operação nos complexos do Alemão e da Penha resultou em 121 mortes, número superior às 111 vítimas do massacre do Carandiru em 1992. Bahia lidera com 1.570 mortes. Pará tem 634. Paraná, 490. Goiás, 362.

A Conectas aponta que a manutenção desses índices se baseia em operações de choque como resposta principal, dados com baixa transparência e sistemas de responsabilização ineficientes. Perícias vinculadas aos próprios órgãos policiais. Demora nas investigações. Falta de punição.

A conclusão é simples e incômoda. Alta letalidade policial não reduz criminalidade. Pelo contrário, os grupos se alimentam desses conflitos armados. Mas muitos governantes não têm interesse em um combate efetivo ao crime com investigação independente que atinja as linhas de comando. Preferem criminalizar moradores de favela e chamar de segurança pública o que é, na verdade, execução em massa.

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