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Dado Dolabella: quando um agressor diz que vai se candidatar para ‘lutar pelas mulheres’

O ator Dado Dolabella

Data: 4 de março de 2026

Na terça-feira 3 de março, o MDB do Rio de Janeiro anunciou Dado Dolabella como pré-candidato a deputado federal. O anúncio foi feito pelo presidente estadual da sigla, Washington Reis, em publicação nas redes sociais que seria removida pouco depois, um detalhe que não passou despercebido nos bastidores políticos. Em vídeo divulgado online, o ator afirmou que encarava a entrada na política como uma missão e prometeu “trazer de volta o equilíbrio pras crianças, pras mulheres, pros homens” porque “a gente tá vendo aí muito desequilíbrio, com muita coisa errada acontecendo”.

Aqui está o problema. Não é apenas uma questão de discurso vazio de mais um candidato que não tem uma plataforma de ação. No caso de um homem que tem várias condenações por agredir mulheres, a declaração de Dolabella soa como escárnio, desrespeito e até provocação. Isso vai muito além da hipocrisia política. É uma questão de como a violência contra mulheres funciona em uma sociedade que permite que homens agressores se reinventem como defensores das mesmas pessoas que agrediram.

Histórico de condenações

Dado Dolabella tem um histórico documentado de acusações de agressão contra mulheres que se estende por mais de duas décadas. Em 2008, foi condenado a dois anos e nove meses de prisão em regime aberto por agredir Luana Piovani em uma boate na Gávea, no Rio de Janeiro. Uma camareira que tentou intervir também foi agredida.

Em 2009, enquanto casado com Viviane Sarahyba, foi acusado de agressões físicas e verbais, e a Justiça determinou seu afastamento da residência do casal. Em 2018, recebeu nova condenação de um ano e 15 dias de prisão em regime aberto por ofensas e ameaças não cumpridas. Durante a primeira edição de “A Fazenda”, Dani Souza relatou ter sido atingida na perna com um chicote por Dado durante uma festa temática, sem que houvesse punição dentro do reality.

Em agosto de 2025, foi condenado a dois anos e quatro meses de prisão em regime aberto por agressões contra Marina Dolabella, sua prima e ex-namorada, que registrou boletim de ocorrência relatando tapas, socos e puxões de cabelo.

E em dezembro de 2024, o ciclo continuou. A modelo Marcela Tomaszewski circulou um vídeo chorando e afirmando ter sofrido agressões físicas e verbais do ator. Ela registrou boletim de ocorrência e terminou o relacionamento, mas teria sido coagida a gravar um vídeo negando o ocorrido. Seu advogado, Diego Candido, abandonou o caso um dia depois, alegando que ela havia reatado o relacionamento com Dado. A advogada do ator, Fernanda Tripode, também deixou a defesa após o episódio.

O que temos aqui é um padrão. Não é um incidente isolado. Não é um mal-entendido. É um padrão de comportamento que atravessa relacionamentos, contextos profissionais e décadas, envolvendo mulheres que tiveram coragem de denunciar.

Quando Dado Dolabella fala em “restabelecer o equilíbrio na família”, ele está usando uma linguagem que historicamente serviu para justificar o controle patriarcal sobre as mulheres. O “equilíbrio” possível para um agressor de mulheres é aquele em que as mulheres sabem seu lugar. É aquele em que a violência doméstica é tratada como um assunto privado, familiar, que não deve ser exposto. É aquele em que as vítimas são pressionadas a manter silêncio em nome da “harmonia”.

A remoção do anúncio do perfil de Washington Reis sugere que alguém, em algum lugar, percebeu o absurdo. Mas a candidatura continua. E isso nos diz algo importante sobre como funcionam as estruturas de poder no Brasil. Um homem com múltiplas condenações por agressão, com um padrão documentado de violência contra mulheres, pode simplesmente se reinventar como político e contar com a máquina partidária para apoiá-lo. Pelo menos até o momento em que a repercussão fica incômoda demais.

Se o MDB levar adiante essa farsa, enviará às mulheres a mensagem de que o sofrimento delas não importa, de que é aceitável que um agressor contumaz se candidate com a missão de “lutar pelas mulheres”.

1 comentários para “Dado Dolabella: quando um agressor diz que vai se candidatar para ‘lutar pelas mulheres’”

  1. Vergonhoso esse cara na política. População brasileira democratas Atentos atentos e nas urnas que não se vota nesse tipo de ser.

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